O presidente Lula (PT) lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) durante a Cúpula do Clima, em Belém (PA), na tarde desta quinta-feira (6). Durante o almoço oferecido pelo governo brasileiro, o presidente convidou outras nações a apoiarem a iniciativa.
As florestas tropicais estão presentes em mais de 70 nações, entre elas o Brasil. A proposta, desenhada pelo governo brasileiro, pretende alcançar inicialmente US$ 25 bilhões com as adesões dos países e chegar a US$ 125 bilhões com o capital privado.
O TFFF também deverá garantir que um quinto dos recursos seja destinado aos povos indígenas e comunidades locais.
O acompanhamento da manutenção das florestas em pé será feito por meio de monitoramento por satélites, capazes de identificar o cumprimento da meta de manter o desmatamento abaixo de 0,5% nos países elegíveis.
Segundo o presidente, será possível pagar aos países US$ 4 por hectare preservado.
“Parece modesto, mas estamos falando de 1,1 bilhão de hectares de florestas tropicais distribuídos em 73 países em desenvolvimento”, disse Lula.
O anúncio ocorre após o aporte de US$ 1 bilhão realizado pelo governo brasileiro no dia 23 de setembro, no primeiro diálogo de apresentação da ferramenta promovido pelo Brasil e pelo secretariado das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês), em Brasília.
Lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre
No lançamento do TFFF – poucos dias antes do início da COP30 – o presidente lembrou ainda que o Conselho do Banco Mundial vai hospedar o mecanismo financeiro e o secretariado do TFFF, com um modelo de governança considerado inovador.
Lula lembrou que vários países com florestas tropicais e financiadores já anunciaram apoio ao mecanismo.
“É simbólico que a celebração do seu nascimento seja feita aqui em Belém, rodeada de sumaúmas, açaizeiros, andirobas e jacarandás. Em poucos anos poderemos ver o fruto desse fundo. Teremos orgulho de lembrar que foi no coração da Floresta Amazônica que demos esse passo juntos.”
O papel do TFFF, conforme o petista, será “complementar os mecanismos que pagam pela redução das emissões de gases do efeito estufa”.
“[Serão] investimentos soberanos de países desenvolvidos e em desenvolvimento que irão alavancar um fundo de capital misto. O portfólio vai se diversificar em ações e títulos”, destacou Lula.
Na opinião do chefe de Estado brasileiro, as florestas deveriam “integrar o PIB dos países”. “Os serviços ecossistêmicos precisam ser remunerados, assim como as pessoas que protegem as florestas. Os fundos verdes internacionais não estão à altura do desafio”, disse.
Os recursos gerados a partir dos investimentos em projetos de altas taxas de retorno financiarão a manutenção dos ambientes de floresta preservados por hectare.
“Os lucros serão repartidos entre os países de florestas tropicais e os investidores. Esses recursos irão diretamente para os governos nacionais, que poderão garantir programas soberanos de longo prazo”, reforçou.
