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Em Belém, Lula lança fundo para preservação de florestas tropicais

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) durante a Cúpula do Clima, em Belém (PA), na tarde desta quinta-feira (6). Durante o almoço oferecido pelo governo brasileiro, o presidente convidou outras nações a apoiarem a iniciativa.

As florestas tropicais estão presentes em mais de 70 nações, entre elas o Brasil. A proposta, desenhada pelo governo brasileiro, pretende alcançar inicialmente US$ 25 bilhões com as adesões dos países e chegar a US$ 125 bilhões com o capital privado.

O TFFF também deverá garantir que um quinto dos recursos seja destinado aos povos indígenas e comunidades locais.

O acompanhamento da manutenção das florestas em pé será feito por meio de monitoramento por satélites, capazes de identificar o cumprimento da meta de manter o desmatamento abaixo de 0,5% nos países elegíveis.

Segundo o presidente, será possível pagar aos países US$ 4 por hectare preservado.

“Parece modesto, mas estamos falando de 1,1 bilhão de hectares de florestas tropicais distribuídos em 73 países em desenvolvimento”, disse Lula.

O anúncio ocorre após o aporte de US$ 1 bilhão realizado pelo governo brasileiro no dia 23 de setembro, no primeiro diálogo de apresentação da ferramenta promovido pelo Brasil e pelo secretariado das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês), em Brasília.

Lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre

No lançamento do TFFF – poucos dias antes do início da COP30 – o presidente lembrou ainda que o Conselho do Banco Mundial vai hospedar o mecanismo financeiro e o secretariado do TFFF, com um modelo de governança considerado inovador.

Lula lembrou que vários países com florestas tropicais e financiadores já anunciaram apoio ao mecanismo.

“É simbólico que a celebração do seu nascimento seja feita aqui em Belém, rodeada de sumaúmas, açaizeiros, andirobas e jacarandás. Em poucos anos poderemos ver o fruto desse fundo. Teremos orgulho de lembrar que foi no coração da Floresta Amazônica que demos esse passo juntos.”

O papel do TFFF, conforme o petista, será “complementar os mecanismos que pagam pela redução das emissões de gases do efeito estufa”.

“[Serão] investimentos soberanos de países desenvolvidos e em desenvolvimento que irão alavancar um fundo de capital misto. O portfólio vai se diversificar em ações e títulos”, destacou Lula.

Na opinião do chefe de Estado brasileiro, as florestas deveriam “integrar o PIB dos países”. “Os serviços ecossistêmicos precisam ser remunerados, assim como as pessoas que protegem as florestas. Os fundos verdes internacionais não estão à altura do desafio”, disse.

Os recursos gerados a partir dos investimentos em projetos de altas taxas de retorno financiarão a manutenção dos ambientes de floresta preservados por hectare.

“Os lucros serão repartidos entre os países de florestas tropicais e os investidores. Esses recursos irão diretamente para os governos nacionais, que poderão garantir programas soberanos de longo prazo”, reforçou.