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Ciro pede desculpas a Wagner por ataques no passado e culpa Cid por desavenças

Durante a cerimônia de filiação de Roberto Cláudio ao União Brasil, nesta quarta-feira (5), o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) surpreendeu ao pedir publicamente desculpas ao Capitão Wagner, presidente do partido no Ceará. O pedido se referiu aos ataques feitos durante o período em que ambos disputavam cargos políticos no Estado.

Ciro afirmou que, na época, foi influenciado pelo irmão e senador Cid Gomes (PSB) a adotar postura mais agressiva contra Wagner. “Um irmão em quem eu depositava a crença de que não errava. Achava que, por ser meu irmão, não errava, e a gente vai aprendendo que as coisas não são bem assim”, declarou o ex-ministro diante do público presente.

Apesar de descartar, por enquanto, qualquer pretensão eleitoral, Ciro disse ter responsabilidades a cumprir dentro do novo partido. O ex-governador aproveitou para elogiar Roberto Cláudio, destacando que, desde a derrota em 2022, o ex-prefeito tem mantido o compromisso de seguir como pré-candidato ao Governo do Estado.

NOVA FASE

Com o retorno ao PSDB, o nome de Ciro voltou a ser ventilado entre correligionários como possível candidato ao Governo do Ceará em 2026. Mesmo afirmando que não pretende disputar cargos, ele admitiu a possibilidade de concorrer novamente à Presidência da República.

Ciro lembrou que já disputou o cargo quatro vezes e, apesar das derrotas, segue lembrado por parte do eleitorado. “Tem gente no Brasil, em certo momento, 14% e, em outro, mais sofrido para mim, 3%, que acredita em mim”, comentou, em tom de reflexão sobre a trajetória política.

No mesmo evento, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, reforçou o apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, apontando-o como o mais preparado para disputar o Palácio do Planalto. Ciro não rebateu, mas manteve em aberto a posição dele sobre o tema.

ALIANÇAS

Durante o discurso, Ciro destacou que a principal missão é fortalecer o grupo oposicionista no Ceará e contribuir com o PSDB sob a liderança de Tasso Jereissati. “Estou me refugiando na declaração do Tasso. Digo que não sou candidato a nada, mas sou soldado do partido”, disse, arrancando risos do público.

Capitão Wagner afirmou que o grupo decidirá com responsabilidade quem disputará o Governo do Estado. Segundo ele, a fala de Ciro permite interpretações diferentes. “Os que não querem vê-lo candidato dizem que ele não será. Nós, que queremos, usamos a parte em que ele diz que é soldado do partido”, ironizou.

Já Roberto Cláudio, agora correligionário de Wagner, defendeu o nome de Ciro como o mais forte da oposição. Disse que, embora o ex-ministro ainda não tenha anunciado oficialmente a pré-candidatura, há expectativa dentro do grupo. “Apesar de não ter manifestado ainda, contamos com essa possibilidade”, afirmou.

OPOSIÇÃO

O ex-prefeito de Fortaleza acrescentou que pretende disputar um cargo eletivo em 2026, mas ressaltou que o foco agora é construir uma frente unida e competitiva. “Os desejos são menores que a necessidade de montar um palanque capaz de governar o Estado”, pontuou Roberto Cláudio.

Entre aliados, o gesto de Ciro foi interpretado como um movimento de reconciliação com antigos adversários e de retomada de protagonismo político. A aproximação com Wagner e a presença de Tasso reforçam a tentativa de reorganizar o campo oposicionista cearense.

Nos bastidores, a avaliação é que o discurso de Ciro, embora conciliador, também recoloca seu nome no debate nacional. Mesmo sem anunciar oficialmente, o ex-ministro sinaliza que ainda pretende ser ouvido na corrida presidencial.