Os esforços das Forças de Segurança do Ceará para conter ameaças e expulsões de moradores já levaram à prisão de 36 suspeitos, em ações com mandados judiciais e flagrantes. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) coordena as operações, que contam com o trabalho conjunto das polícias Civil (PCCE) e Militar (PMCE) e o apoio das coordenadorias de Inteligência (Coin) e de Planejamento Operacional (Copol).
Das 36 prisões, 21 ocorreram em flagrante e 15 por mandado judicial. Segundo levantamentos policiais, 23 detidos têm antecedentes por diferentes crimes. Também foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão entre agosto e esta quarta-feira (5).
O secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Sá, destacou a importância das prisões e das ações integradas no enfrentamento à criminalidade. Ressaltou o compromisso do Governo do Estado no combate às organizações criminosas.
Roberto Sá lembrou que, de janeiro a setembro, mais de 1.800 prisões foram efetuadas. “Há determinação do governador Elmano de Freitas para atuarmos dia e noite contra toda forma de crime. Continuaremos identificando e prendendo quem comete delitos, seja em flagrante ou por investigação”, afirmou.
OPERAÇÃO OPUS
Desde 20 de outubro, a SSPDS executa, por meio da Copol, a Operação Opus, com o objetivo de combater crimes e desarticular grupos ligados a deslocamentos forçados. As ações começaram no bairro Prefeito José Walter, com base em informações da Coin e dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp). Em 15 dias, oito pessoas foram presas.
A prática desse tipo de crime, comum em vários estados, é característica de disputas entre facções criminosas. No Ceará, o enfrentamento ocorre por meio de mapeamento, monitoramento e prisões de suspeitos. O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) conduzem as investigações, que somam 25 inquéritos em andamento.
O delegado-geral da PCCE, Márcio Gutiérrez, explicou que há um protocolo de troca de informações entre as Forças de Segurança. “Cada caso é identificado, monitorado e investigado. Nosso foco é localizar e prender qualquer pessoa envolvida em ameaças, deslocamentos forçados ou que se beneficie desses crimes”, declarou.
MONITORAMENTO POLICIAL
A PMCE, por meio do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac), realiza o monitoramento e o mapeamento de imóveis ligados a ameaças. Quando há ocupação irregular, os policiais encaminham as medidas legais e efetuam prisões de suspeitos que lucram com a venda ou aluguel das casas.
O comandante-geral da PMCE, coronel Sinval Sampaio, destacou o papel da corporação. “Nós fazemos o primeiro atendimento. Muitas pessoas não registram ocorrência por medo, mas mesmo assim elaboramos relatórios enviados à Polícia Civil. Também reforçamos as visitas e o policiamento ostensivo nos locais afetados“, disse.
Em uma das operações recentes, a PMCE prendeu dois suspeitos em Morada Nova nesta quarta-feira (5), apreendendo armas e munições. No dia anterior, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) capturou, no Rio de Janeiro, um cearense investigado pela PCCE por envolvimento em duplo homicídio e deslocamentos forçados em Cariré.
RESULTADOS
No fim de outubro, outras quatro pessoas foram presas por envolvimento em expulsão de moradores de um residencial no bairro Prefeito José Walter. Todas foram encaminhadas à Justiça. As ações seguem em diferentes regiões do Estado com apoio das unidades especializadas.
A SSPDS informou ainda que, entre janeiro e setembro deste ano, 1.851 pessoas foram presas ou apreendidas por envolvimento com facções, aumento de 86,6% em relação a 2024. No mesmo período, 2.148 prisões ocorreram por homicídio, 33,4% a mais que no ano anterior. Em setembro, as capturas de integrantes de grupos criminosos cresceram 279,8% na comparação com 2024.
