A coordenadora da Câmara Temática de Meio Ambiente do Consórcio Nordeste e secretária do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará, Vilma Freire, entregou ao presidente da COP30, embaixador André Aranha Corrêa do Lago, a Carta-compromisso com o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica. O documento destaca o Nordeste como modelo nacional e internacional de transição ecológica justa e cooperação climática.
Segundo Vilma Freire, a carta representa o engajamento coletivo da região com a transformação ecológica do País. “O Nordeste assume um papel de liderança na construção de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, que alia sustentabilidade, justiça social e inovação”, salientou.
A cerimônia ocorreu em Brasília e marcou o encerramento do ciclo das COPs dos Biomas, realizadas ao longo do ano em diferentes regiões do País — Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, Cerrado e Pampa.
PACTO CLIMÁTICO
Durante o evento, os estados brasileiros entregaram oficialmente à presidência da COP30 as Cartas dos Biomas, documentos que estabelecem compromissos e prioridades regionais para enfrentar as mudanças climáticas. A iniciativa simboliza um pacto por uma agenda nacional integrada e participativa.
O embaixador André Corrêa Lago ressaltou que o momento reflete a força da democracia brasileira. “É essencial o comprometimento que vem dos estados e da população local para que possamos manter o Brasil como referência internacional”, afirmou o presidente da COP30.
Vilma Freire também destacou que a proposta nasceu da necessidade de dar voz às diferentes realidades do país. “Vivemos num território plural, com demandas diversas, e tivemos a oportunidade de apresentar as necessidades da nossa Caatinga”, observou.
REGIÃO EM FOCO
O documento reafirma o protagonismo nordestino na construção de um modelo sustentável e inovador, com 10 compromissos concretos. Entre eles estão a promoção de uma transição energética justa, incentivo à bioeconomia e à agricultura sustentável, fortalecimento da educação e da inovação, ampliação da economia circular, segurança hídrica e preservação da biodiversidade.
No contexto do Plano Brasil Nordeste de Transição Ecológica, a Caatinga — único bioma exclusivamente brasileiro — é apontada como peça-chave para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. O potencial de absorção e armazenamento de CO₂ nas raízes e no solo da vegetação adaptada reforça sua importância ambiental.
O plano propõe ações que unem preservação da Caatinga, geração de renda e valorização dos saberes tradicionais das comunidades locais. Para Vilma Freire, a participação dos estados nas discussões fortalece a construção de soluções regionais.
NOVOS PASSOS
A cerimônia também contou com a presença da CEO da COP30, Ana Toni, além de representantes dos governos estaduais e da sociedade civil. O evento simbolizou o fechamento de um ciclo de cooperação e diálogo entre instituições públicas e comunidades.

Com a entrega das Cartas dos Biomas e o lançamento do Mutirão do Código Florestal, o Brasil reforça o compromisso com uma agenda climática sólida, colaborativa e federativa. A iniciativa consolida o País como liderança global em políticas de uso sustentável do solo, restauração florestal e transição ecológica justa.
