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Maioria dos cariocas defende investigações contra o crime em vez de mortes em operações

A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (1º), mostra que 77% dos moradores da capital e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) acreditam que combater o crime organizado por meio de investigações é mais eficaz do que simplesmente eliminar criminosos. Apenas 20% discordam dessa visão.

Segundo o portal Brasil de Fato (BdF), o levantamento foi realizado por telefone com 626 pessoas acima de 16 anos nos dias 30 e 31 de outubro.

Entre os entrevistados, 73% rejeitam a ideia de que quem morre em operação policial é sempre bandido, enquanto 23% concordam. A frase “bandido bom é bandido morto” divide opiniões: 45% discordam e 51% concordam, mostrando que o debate sobre segurança pública segue polarizado.

A sondagem ocorreu logo após a Operação Contenção, que deixou pelo menos 121 mortos nos complexos de comunidades da Penha e do Alemão. Mesmo assim, 57% dos moradores da região consideram que a operação foi bem-sucedida, posição defendida pelo governador Cláudio Castro (PL). Outros 39% discordam dessa avaliação.

OPINIÕES DIVIDIDAS

Os índices de aprovação às declarações de Cláudio Castro variam conforme gênero e faixa de renda. Entre os homens, 68% concordam com o governador, contra 47% das mulheres. Já entre os jovens de 16 a 24 anos e pessoas com renda entre cinco e 10 salários mínimos, a maioria desaprova a ação, com 59% e 49% de discordância, respectivamente.

Os 77% que priorizam investigações em vez de execuções reforçam a linha de atuação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), que aposta em operações para sufocar financeiramente o crime organizado. Um exemplo é a Operação Carbono Oculto, que desmantelou negócios do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo.

A principal aposta do governo é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, enviada ao Congresso Nacional em abril. O texto propõe reestruturar o sistema de combate ao crime e inserir o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, garantindo integração entre União, estados e municípios.

NOVO MODELO

O objetivo é articular informações, operações e estratégias entre as polícias e os órgãos de defesa social. “Queremos promover o entrosamento das forças federais, estaduais e municipais no enfrentamento da criminalidade”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro.

Nesta sexta-feira (31 de outubro), o presidente Lula também assinou o projeto de lei Antifacção, que será encaminhado ao Congresso Nacional. A proposta prevê aumento de penas para líderes e integrantes de organizações criminosas, reforçando o combate às facções que atuam em todo o País.