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Quatro cearenses estão entre mortos da operação mais letal do Rio

Os corpos de todos os mortos no confronto no Rio de Janeiro foram encaminhados ao IML Afrânio Peixoto. Peritos e legistas dedicam exclusividade à ocorrência. Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Quatro cearenses estão entre os 117 mortos da megaoperação realizada entre terça (28) e quarta-feira (29) nas comunidades da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A ação, chamada de Operação Contenção, é considerada a mais letal da História do estado. As identidades foram confirmadas nesta sexta-feira (31) pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Os cearenses mortos foram identificados como Luan Carlos Marcolino de Alcântara, o “Tubarão”, 24; Francisco Teixeira Parente, o “Mongol”, 30; e Josigledson de Freitas Silva, o “Traquino”, 34. Um quarto nome ainda aguarda confirmação oficial. Todos eram apontados como integrantes do Comando Vermelho (CV) e tinham passagens por crimes graves no Ceará.

Conforme informações policiais, “Tubarão” era considerado um dos criminosos mais perigosos em atuação no bairro Carlito Pamplona, na Zona Oeste de Fortaleza. Ele era acusado de envolvimento na morte do policial militar Bruno Lopes Marques. O homicídio foi cometido no Pirambu em fevereiro de 2024.

HISTÓRICO CRIMINAL

O segundo cearense identificado, Francisco Teixeira Parente, conhecido como “Mongol”, possuía antecedentes por homicídio, furto, estelionato e corrupção ativa. Ele também era acusado de participação no homicídio que vitimou o policial militar Heverton Gonçalves da Silva, 27, morto em setembro de 2022, também no bairro Pirambu.

Josigledson de Freitas Silva, o “Traquino”, atuava na mesma região da capital cearense. Segundo a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), ele respondia a processo na Justiça por integrar organização criminosa. Todos os três estavam foragidos e teriam buscado abrigo nas comunidades controladas pelo CV no Rio de Janeiro.

Fontes da segurança fluminense afirmam que os complexos da Penha e do Alemão funcionam atualmente como base nacional da facção, servindo de refúgio para criminosos de vários estados. O secretário de Polícia Civil do rio de Janeiro, Felipe Curi, destacou que o local é usado para treinamentos armados e planejamento de ações do grupo criminoso.

OPERAÇÃO E CONFRONTO

A ofensiva contou com 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, além do apoio aéreo e de blindados. A ação tinha como meta desarticular o Comando Vermelho e cumprir mais de 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão.

Durante os confrontos, dezenas de corpos foram encontrados na Serra da Misericórdia, área de difícil acesso entre os dois complexos. Moradores relataram cenas de pânico e violência. “Nunca vi algo assim. Parecia um campo de guerra”, descreveu uma moradora.

Do total de mortos, 99 foram identificados até esta sexta-feira. Segundo o balanço oficial, 78 tinham antecedentes criminais e 42 estavam foragidos, incluindo os quatro cearenses. A lista inclui suspeitos de homicídio, tráfico de drogas e roubo.

SUSPEITAS E INVESTIGAÇÕES

A Polícia ainda apura se duas lideranças do Comando Vermelho no Ceará — Carlos Mateus da Silva Alencar, o “Skidum”, e Leilson Sousa da Silva, o “Lelê” — estão entre os mortos. Ambos eram considerados chefes do tráfico no Pirambu e estavam escondidos na Comunidade da Penha.

Enquanto isso, o principal alvo da operação, o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, conseguiu escapar. Apontado como o maior chefe do CV em liberdade, ele é procurado em todo o País. O Disque Denúncia do Rio oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem ao paradeiro do criminoso.

O governador Cláudio Castro (PL) afirmou que continuará atuando contra o crime organizado. “Nosso trabalho é livrar a sociedade do tráfico, da milícia, de todo aquele que prejudica o direito de ir e vir”, declarou.

REPERCUSSÃO E IMPACTO

No Ceará, as mortes repercutiram entre autoridades da segurança pública, que consideram a operação um golpe contra o avanço das facções no Estado. Especialistas alertam, no entanto, que o envio de criminosos cearenses para o Rio de Janeiro reflete o intercâmbio entre células do CV em todo o País.

A megaoperação também reacendeu o debate sobre a letalidade policial. Organizações de direitos humanos pedem investigações independentes sobre a ação, que deixou 117 suspeitos e quatro agentes mortos. O episódio é apontado como o mais violento já registrado em território fluminense.