O pesquisador e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Hugo Fernandes, foi um dos aprovados para atuar como delegado na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que acontece em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro.
O docente do curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc), da Uece, concedeu entrevista ao Opinião CE, ocasião em que deu exemplos do que o Ceará poderá apresentar às demais nações visando, exatamente, promover a troca de experiências.
Participando da Zona Azul, espaço de negociações oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU), ele vai falar, por exemplo, sobre a importância da biodiversidade e da bioeconomia para a regulação do clima no mundo.
“A gente não pode dissociar, jamais, a importância da fauna e da flora no contexto das regulações climáticas”, afirmou.
A bioeconomia está ligada à economia regenerativa, modelo econômico que defende a reconstrução de ecossistemas e comunidades, atrelando os negócios ao meio ambiente. Este é um dos principais temas que o pesquisador trata.
Englobando tudo isso, está a transição ecológica, que Fernandes também vai discutir na COP e que o docente afirma ser “muito prioritária” para o Estado.
Durante o evento, ele participará de palestras e painéis internacionais, incluindo o Pavilhão da Finlândia, o Museu Paraense Emílio Goeldi, o espaço Casa Brasil e outras arenas multilaterais em articulação.
PROGRAMA CIENTISTA-CHEFE
O professor é membro do Programa Cientista-Chefe da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema).
“É uma honra estar representando o Estado, levando o nome do Programa Cientista-Chefe e também da Universidade Estadual do Ceará”, disse.
Pelo programa estadual, por exemplo, ele atuou na elaboração do Livro Vermelho da Fauna Ameaçada do Ceará, a lista de espécies ameaçadas de extinção na fauna cearense.
Ele ressalta outras iniciativas da política pública cearense, como o programa Agente Jovem Ambiental — para atuação de jovens em ações socioambientais — e o plano ABC, o Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária.
“Eu ouso dizer que o que eu vou levar é ainda muito pequeno perto da agenda do Estado. A agenda do Estado, certamente, vai ser maior”, completou.
Em entrevista ao Opinião CE, a secretária da Sema, Vilma Freire, já afirmou que o Estado vai levar e trazer ações concretas da COP. Três temáticas prioritárias serão levadas pela comitiva cearense: transição energética, recaatingamento e levantamento de ativos.
Em relação à transição energética, por exemplo, Vilma destacou que o Ceará é uma vitrine para todo o Brasil. Ela ressaltou que o governador Elmano de Freitas (PT) tem acompanhado as discussões, com o intuito de levantar investimentos necessários para o avanço das energias limpas. “Esse é um ponto que vamos chegar para apresentar. O Ceará tem muito a mostrar”.
RECONHECIMENTO DA PESQUISA NO CEARÁ
Professor da Uece, Hugo Fernandes destacou que a presença das universidades na COP é imprescindível. A conferência, aliás, vai contar com um momento dedicado à inovação nas universidades. Liderada pelo Ministério da Fazenda, a proposta tem como tema “Universidades inovadoras: conectando universidades e empresas para a transformação ecológica”.
“Em um evento como esse, mostra que nós, aqui no Ceará, conseguimos sim fazer pesquisas que podem mudar o curso das mudanças no clima do mundo”, disse o professor.
Segundo ele, mesmo que o problema de financiamento da pesquisa ainda seja recorrente no Brasil, a Uece mostra que “com pouco se consegue fazer muito”.
De acordo com o docente, a instituição de ensino superior deveria ser mais reconhecida pelos cearenses. “Tem muita coisa sendo produzida ali dentro que dá orgulho ao povo cearense”, afirmou. “A Uece tem grandes laboratórios, bem equipados, e pessoas que têm presença de relevância internacional em suas áreas de pesquisa”, acrescentou.
“Obviamente, como qualquer universidade no Brasil, existem várias lacunas que precisam ser melhoradas. Mas eu sempre gosto de falar com muito orgulho dos aspectos positivos da universidade”, finalizou.
