Em entrevista ao programa Entre Assuntos, do Opinião CE, o padeiro Brunno Malheiros compartilhou os bastidores e a emoção de ter conquistado o 2º lugar no Panettone World Championship, realizado na Itália. O cearense representou o Brasil, liderando a equipe nacional.
Brunno relatou que o desafio foi marcado por superação e improviso. “A gente tava numa guerra, totalmente desprevenido, com poucos recursos, e os caras tavam muito bem equipados. Mas não tinha o que fazer, a gente já tava lá. Tinha que fazer o melhor com o que tinha“, contou.
Mesmo diante das dificuldades, o padeiro destacou a garra da equipe brasileira. “Se a gente fizer o melhor com o que tem disponível, missão cumprida. Não dá pra comparar o meu resultado com quem tem mais orçamento e ferramentas. Brasileiro é bicho destemido. Eu tinha um mentor que dizia: ‘vocês treinam descalço’. Então, quem treina descalço, quando calça qualquer chuteira, vai bem”, disse, sorrindo.
CEARÁ COMO DESTAQUE MUNDIAL
Além da conquista pessoal, Brunno ressaltou o significado do prêmio para o Ceará e para a confeitaria regional. “A gente tem um carinho especial em falar sobre o Ceará, porque somamos muitos resultados na raça. Em qualquer lugar do mundo tem um cearense se destacando, e isso é louvável. Acho que vem da nossa cultura e da nossa história”, afirmou.
O padeiro participa de competições internacionais há três anos e já acumula grandes resultados. Durante a entrevista, Brunno Malheiros contou sobre seu passado em competições e comemorou a evolução do próprio trabalho.
“Todo resultado eu olhava para aquele troféu, voltava sempre com a medalha, mas olhava para aquele negócio bonito e pensava: ‘Cara, eu vou trazer um negócio desse ainda. Pode ter certeza, é questão de tempo'”, relembrou.

DEDICAÇÃO E EXCELÊNCIA NA CONFEITARIA
O cearense também destacou a rotina intensa de preparação antes da disputa. Foram semanas de treinamento individual e em equipe, busca por insumos, testes e ajustes diários nas receitas.
“É uma rotina bem cansativa, mas a gente colheu bons frutos. Fomos pra Itália e deixamos uma boa marca. Conquistamos o 2º lugar com o panetone de chocolate e o 4º lugar com o panetone clássico. Na classificação geral, entre 12 países, ficamos em 6º. Saí do Brasil dizendo que, se ficasse no top 6, já estaria satisfeito. O dever foi cumprido”, celebrou.
Ao explicar o que faz um panetone ser especial, Brunno detalhou os critérios de excelência que conquistaram os jurados. Segundo ele, um bom panetone deve ser leve, úmido, aromático e equilibrado no sabor. “O panetone clássico precisa ter perfume de baunilha e aromas cítricos de limão e laranja. As frutas devem ser de alta qualidade, cortadas de forma precisa, e o recheio tem que estar bem distribuído. A textura ideal é aquela que desfia como algodão-doce”, explicou.
