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Lewandowski diz que Governo não negou apoio ao Rio e reforça presença federal

Ricardo Lewandowski assegurou que Nenhum pedido do governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi negado. Foto: Felipe Barreto/ Opinião CE

Durante entrevista coletiva, o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski afirmou que nenhum pedido do Governo do Rio de Janeiro ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) foi recusado. As declarações ocorreram na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), após ele receber o título de Cidadão Cearense Honorário.

O ministro prestou solidariedade aos familiares dos dois policiais civis, dois militares e às vítimas atingidas por balas perdidas durante os confrontos.

Lewandowski explicou que as competências das polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) são determinadas pela Constituição e não se sobrepõem às polícias estaduais. Segundo ele, o Governo Federal presta apoio dentro de seus limites. “Nenhum pedido do governador Cláudio Castro foi negado”, assegurou.

COOPERAÇÃO FEDERAL

O ministro destacou investimentos em apreensões de armas, drogas, equipamentos e no sistema prisional. Ressaltou ainda que há um esforço contínuo do Governo Federal para fortalecer ações de inteligência.

A cidade do Rio de Janeiro viveu o dia mais caótico da História. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Lewandowski citou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, que pretende integrar e coordenar forças de segurança federais, estaduais e municipais. O ministro afirmou que o crime organizado se tornou um fenômeno nacional e global, exigindo planejamento conjunto entre instituições.

Com compartilhamento de inteligência, ações coordenadas, planejadas antecipadamente. É isso que estamos precisando. O crime organizado, hoje, é uma patologia extremamente preocupante, não é mais um fenômeno só local. É nacional e até global”, disse Ricardo Lewandowski.

REUNIÃO NO RIO

No início da noite desta terça-feira, o MJSP confirmou o envio de uma comitiva ao Rio de Janeiro para reunião com Cláudio Castro (PL) e representantes da cúpula da segurança pública. Ricardo Lewandowski e Rui Costa, da Casa Civil, confirmaram as presenças.

Por meio de nota, o Governo Federal informou que uma reunião na Casa Civil com a presença do então presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB-SP), e dos ministros Rui Costa, Gleisi Hoffmann, Jorge Messias (AGU), Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania), Sidônio Palmeira (Comunicação) e do secretário-executivo do MJSP, Manoel Carlos, avaliaram os desdobramentos da operação no Rio de Janeiro.

“Durante a reunião, as forças policiais e militares federais reiteraram que não houve qualquer consulta ou pedido de apoio, por parte do Governo Estadual do Rio de Janeiro, para realização da operação”, diz o comunicado do Governo Federal.

O governador solicitou 10 vagas em presídios federais para transferir líderes de facções criminosas. O pedido foi atendido prontamente pelo ministério.

A ação mobilizou mais de 2,5 mil policiais militares e civis no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Cláudio Castro defendeu a operação e criticou a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. Segundo ele, a medida engessa o trabalho policial, cria obstáculos burocráticos e acaba favorecendo o avanço do crime. “Não se pode criminalizar quem enfrenta organizações violentas que aterrorizam comunidades inteiras”, disse.

COBRANÇAS

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União enviaram ofício solicitando esclarecimentos ao governador Cláudio Castro sobre a operação, que resultou nas 64 mortes até agora, incluindo a dos quatro policiais.

Os órgãos querem detalhes sobre a finalidade da operação, custos, planejamento e justificativas que demonstrem não haver alternativa menos letal.

Também pedem comprovação de cumprimento das exigências impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, como uso de câmeras corporais e elaboração de relatório público detalhado.

BALANÇO

A operação mobilizou aproximadamente 2,5 mil policiais civis e militares nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense, visando capturar lideranças criminosas e conter o avanço territorial do Comando Vermelho (CV).

O balanço parcial inclui 81 presos, 72 fuzis apreendidos e grande quantidade de drogas ainda em contabilização.

Após as ações, criminosos incendiaram ônibus e determinaram o fechamento do comércio em diversas áreas do Rio, provocando medo e transtornos para moradores. O caos afetou o serviço de transporte publico. Mais de 100 linhas municipais deixaram de funcionar ou tiveram as rotas alteradas.

Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, teve de se retratar por dizer que o Governo Federal não cooperou o estado. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Muitos trabalhadores retornaram às suas casas a pé. Eles foram liberados mais cedo devido aos tiroteios. Nos bairros da Zona Norte, os estabelecimentos fecharam as portas ainda pela manhã.

Até o fechamento desta matéria, policiais civis e militares vasculhavam as matas nos entornos das comunidades à procura de corpos de suspeitos que entraram em confronto com as Forças de Segurança. Nos hospitais, 10 policiais militares e cinco civis deram entrada com ferimentos a bala.

Com informações do Repórter Felipe Barreto e Agência Brasil.