Pela primeira vez na história, uma conferência do clima da ONU contará com um enviado especial para a integridade da informação. O brasileiro Frederico Assis, ex-assessor do diplomata Celso Amorim, foi nomeado para exercer a função durante a COP30, que será realizada em Belém (PA), em novembro.
A missão de Assis será enfrentar o avanço da desinformação digital e o negacionismo climático, fenômenos que têm ganhado força à medida que o evento se aproxima. Em entrevista ao g1, ele disse que o problema ameaça diretamente os esforços globais de enfrentamento da crise climática.
“A desinformação é destrutiva e pode comprometer todos os nossos esforços na COP”, afirmou.
Segundo ele, fake news sobre clima são frequentemente impulsionadas por interesses políticos e econômicos, além de serem amplificadas por “algoritmos obscuros” de grandes plataformas digitais.
Assis também defendeu mudanças estruturais na forma como as big techs — como a Meta — lidam com o conteúdo publicado e impulsionado em suas redes. “Enquanto isso não acontecer, o combate à desinformação será apenas uma redução de danos”, declarou.
O enviado especial também mostrou preocupação com a evolução do discurso negacionista. Segundo ele, se antes negava a existência da crise climática, agora busca desacreditar as soluções propostas pela ciência e pela diplomacia internacional.
A nomeação ocorre em um contexto em que a manipulação da informação se tornou um dos maiores desafios para o debate público sobre o clima. Especialistas alertam que o fenômeno atrasa decisões políticas, enfraquece o senso de urgência global e coloca em risco o avanço de políticas sustentáveis em todo o mundo.
