O Ceará consolida sua presença no mapa mundial da ciência com a inauguração, nesta sexta-feira (31), do novo terminal do Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN), localizado em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.
O equipamento, uma antena de 12 metros de diâmetro e tecnologia de última geração, passa a integrar o VLBI Global Observing System (VGOS) — um sistema internacional de observação geodésica mantido por agências como a NASA, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM).
A estrutura reforça o papel estratégico do Nordeste na rede global de geodésia espacial, que responsável por monitorar a rotação da Terra, variações climáticas, deslocamentos da crosta terrestre e fenômenos atmosféricos.
Substituição
O novo terminal substitui gradualmente a antena de 14 metros instalada na década de 1990, marcando uma nova fase para o observatório fundado há mais de 30 anos.
Segundo o Dr. Jean Pierre Raulin, coordenador do Centro de Rádioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), a inauguração representa “um marco para a ciência brasileira e para a presença estratégica do Nordeste na rede global de geodésia espacial”.

Ele destaca que a cooperação internacional e o uso de tecnologia de ponta “fortalecem a capacidade do Brasil de formar jovens pesquisadores e ampliar o conhecimento em áreas estratégicas para o país e para o mundo”.
O VLBI (Very Long Baseline Interferometry) é uma técnica essencial para medições de alta precisão da Terra e do espaço. Os dados coletados são fundamentais não apenas para a pesquisa científica, mas também para o funcionamento de sistemas de navegação por satélite (como o GPS), previsão do tempo, telecomunicações e acompanhamento de eventos extremos, como enchentes e terremotos.
Cooperação internacional e investimento
A nova antena é fruto de uma parceria iniciada em 2019 entre o Mackenzie, a NASA e o Inpe, com investimento de cerca de US$ 8 milhões.
A agência norte-americana financiou a construção e o transporte do equipamento, enquanto o Mackenzie coordena as operações científicas e o Inpe oferece suporte técnico e manutenção. Universidades nordestinas como UFERSA, UFC, UECE e IFCE também participam do projeto, com programas de iniciação científica e pós-graduação integrados.
A instalação do terminal no Ceará também ajuda a corrigir uma lacuna histórica: a maioria das antenas do sistema VLBI está localizada no Hemisfério Norte. A nova estação no Nordeste amplia a cobertura observacional no hemisfério sul, aumentando a precisão dos referenciais utilizados por cientistas de todo o mundo.

Avanço científico e impacto regional
Em 2022, o International VLBI Service (IVS) reconheceu o ROEN pela contribuição essencial ao referencial terrestre global ITRF2020, que serve de base para a cartografia e os sistemas de posicionamento global. Com o novo terminal, o observatório aumenta a taxa de observações e a qualidade dos dados gerados, o que deve ampliar a relevância do Brasil nas redes internacionais de observação da Terra.
Além do impacto científico, o projeto fortalece o ecossistema de educação e inovação tecnológica no Ceará, aproximando universidades, institutos de pesquisa e agências internacionais.
“O novo terminal não é apenas um avanço técnico, mas também uma oportunidade de formação e de inserção global para jovens cientistas nordestinos”, destaca Raulin.
A presença da antena em Eusébio coloca o Estado como um ponto estratégico na infraestrutura global de medição planetária, reforçando a capacidade brasileira de contribuir com dados sobre o nível do mar, deslocamentos tectônicos, variações atmosféricas e mudanças climáticas — informações vitais para a segurança ambiental e tecnológica em escala mundial.
