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Robótica como meio de inclusão: alunos criam aplicativo para ajudar crianças com TEA no Ceará

O aplicativo Good Friends, uma iniciativa que usa a robótica para ajudar pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi desenvolvido por sete alunos da Escola Municipal de Tempo Integral Professora Lúcia Andrade, de Santa Quitéria.

A professora e orientadora do projeto, Ana Eliza, destacou em entrevista ao Opinião CE que o objetivo é transformar o aplicativo em um produto que seja utilizado para a inclusão de pessoas com espectro autista.

“Gosto muito de desenvolver ideias na área de inclusão, formada na área de TI, pois sei que posso estar contribuindo para o desenvolvimento de algo que venha a ajudar na vida dessas pessoas”, informou a professora.

O projeto tem foco maior em auxiliar autistas não verbais, estimulando a expressão emocional, facilitando a comunicação familiar e sendo uma ferramenta de aprendizagem social.

Os alunos que desenvolveram o app estão entre o 6º e o 7º ano do ensino fundamental. São eles: Tarson Samuel, Talisson Luan, Jorge Luis, Catarina Vasconcelos, Maria Clara, Pedro Vitor e Ana Hilla.

Além de Ana Eliza, também orientaram o projeto Maria Socorro e Francisco Herculano.

SUPERANDO OS DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO

Crianças autistas não verbais constantemente têm dificuldade em se comunicar e expressar seus sentimentos. Essa situação provoca crises e dificuldade no desenvolvimento social e educacional.

Ana Eliza citou que a inspiração para o projeto foi a história do aluno João Pedro, do 9º ano. Ele possui autismo não verbal e tinha dificuldades para acalmar suas crises sem a presença da mãe e da irmã.

“A mãe e a irmã nos ajudaram na aplicabilidade do projeto, realizando algumas interações com ele. Gravamos a voz da sua mãe para realizar os testes”, explicou a orientadora.

Nesse sentido, a ferramenta grava a voz do responsável ou da pessoa mais próxima e a coloca para a criança ouvir, dependendo do nível de suas emoções.

A ROBÓTICA COMO MEIO DE INCLUSÃO

De acordo com Eliza, a robótica possui uma capacidade de interação programável e previsível, oferecendo uma oportunidade única para tornar o ambiente seguro e estimulante.

A presença de estímulos visuais (como desenhos e cores), auditivos (sons de família) e táteis (interação com o aplicativo) auxilia na expressão emocional, no aprendizado de novas habilidades e no fornecimento de suporte durante as crises.

Por meio da robótica, o aplicativo auxilia a criança a expressar suas emoções de maneira não verbal e facilita a comunicação familiar.

“Permitindo que familiares gravem suas vozes, o aplicativo cria uma ponte afetiva, reforçando a presença e o carinho dos entes queridos”, argumentou a professora.

FORMATO DIGITAL E FÍSICO

O aplicativo foi criado para ser uma ferramenta amigável e acessível, por isso, seu design possui cores e texturas suaves. Além dos estímulos visuais, auditivos e táteis, seu funcionamento se baseia em reconhecimento de emoções e comunicação com os pais/responsáveis.

Para conseguir atender melhor ainda às necessidades das crianças com espectro autista, os alunos desenvolveram uma versão física do app.

Em casa, a criança poderá tocar em uma forma geométrica colorida, por exemplo, e ouvirá a voz da mãe por meio de um mecanismo auditivo. Essa adaptação também estimula o desenvolvimento educativo.

“Tudo o que tem no ambiente digital a criança também vai ter acesso no espaço físico para trabalhar na rotina dela”, relata Eliza.

CONQUISTAS E DESAFIOS

O trabalho foi apresentado na Mostra Nacional de Robótica (MNR) 2025, em Vitória (ES). Os alunos representaram o colégio e tiveram o apoio financeiro e organizacional da Secretaria Municipal de Educação de Santa Quitéria e da própria instituição EMTI Lúcia Andrade.

Jorge Luís e Maria Clara apresentaram o projeto na Mostra Nacional de Robótica. Foto: Arquivo Pessoal

Apesar disso, Eliza destacou que o principal desafio atualmente são os custos para dar continuidade ao desenvolvimento do projeto.