Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará, realizada por Priscila Siqueira, analisa os estereótipos nas personagens femininas em 15 e-books entre os mais vendidos da plataforma Amazon Brasil. A conclusão foi a predominância de uma visão conservadora da mulher e distante de ideias progressistas.
As obras compõem a categoria de literatura juvenil/adulta, aproximando-se dos antigos folhetins — romances publicados em jornais e revistas em meados do século XIX.
Dentre os títulos estudados, quatro são postos em destaque:
- “A esposa indesejada do príncipe”, de D.A. Lemoyne;
- “Azar no altar”, de Maria Isabel Mello;
- “A conquista do mafioso”, de Ary Nascimento;
- “Vincenzo”, de Cecília Turner.
Esse tipo de literatura faz parte do que chamamos de literatura comercial. Os gêneros têm nomes específicos, como “romance hot” e “dark romance”, e, comumente, são mulheres que escrevem para um público majoritariamente feminino.
“Isso implica em como a parcela feminina da sociedade se enxerga e diretamente em sua formação social e cultural”, detalha Priscila Siqueira, autora da tese de doutorado.
Comenta a pesquisadora que, embora as narrativas dos livros analisados retratem ideais de liberdade e empoderamento atrelados às protagonistas, eles coexistem com o perfil de mulher submissa e apaixonada.
De acordo com Priscila, esse perfil se conecta diretamente com as visões mais tradicionais da mulher, colocando-a em papéis ligados ao casamento e à maternidade e, principalmente, atrelando a felicidade ao amor.
“Dentro desses universos não existe felicidade sem paixão. Para além disso, todas as protagonistas retratadas tinham algum tipo de vulnerabilidade que seria resolvida através do amor”, afirma Priscila Siqueira.
