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Clima e logística fazem da Serra da Ibiapaba referência nacional na produção de flores

Durante o seminário Coalizão Agro 2025, realizado nesta sexta-feira (24), em Guaraciaba do Norte, o Opinião CE entrevistou Anderson Matos, gerente comercial da Reijers, empresa instalada na Serra da Ibiapaba e referência na produção de flores e plantas ornamentais no Ceará. Na entrevista, Matos abordou o cenário atual do setor, as mudanças no consumo pós-pandemia e as perspectivas de crescimento da empresa.

A Reijers ocupa uma área total de 260 hectares, sendo 80 hectares de cultivo ativo, com mais de 50 variedades de flores de corte e cerca de 200 variedades de plantas em vaso. De acordo com o gerente, a comercialização da empresa está concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste, com clientes em cidades como Fortaleza, Teresina, Natal e Mossoró.

Embora já tenha realizado exportações, a empresa voltou seu foco ao mercado interno após a crise financeira que aconteceu com a bolha imobiliária dos Estados Unidos, em 2008. “Aquela crise nos fez readaptar. Fizemos mais aberturas locais, onde hoje, quase na totalidade, é o nosso mercado, no Norte e Nordeste”, explica Matos.

DIFERENCIAL COMPETITIVO COM OUTROS ESTADOS

Segundo o gerente, o clima constante da Serra da Ibiapaba, com temperaturas que variam entre 15°C e 25°C ao longo do ano, é um diferencial competitivo em relação a outros polos produtores. “Diferente de São Paulo, que enfrenta geadas e frentes frias, que fazem com que a produção deles gere oscilações durante o ano”, destaca.

Por outro lado, a infraestrutura rodoviária e a segurança hídrica ainda representam os principais desafios. “São dois pontos basilares. Precisamos ter algumas garantias de políticas públicas voltadas para esses dois pontos importantes. Na questão da logística, semanalmente nós conseguimos mandar, eventualmente, 26 carretas redistribuindo todos os nossos produtos, mas estamos com um programa informação em média de 35 carretas saindo aqui da fazenda. Então, isso demonstra o quão importante é a malha rodoviária para manter a cadeia do caminho da rosa funcionando”, reforçou.

MUDANÇA NO CONSUMO E IMPACTO DA PANDEMIA

Matos lembrou que a pandemia de Covid-19 trouxe mudanças significativas no perfil do consumidor. “Antes, as plantas em vaso representavam cerca de 5% do faturamento. Hoje, chegam a 40%”, revela. O gerente explica que o isolamento social despertou nas pessoas o interesse por atividades domésticas ligadas ao bem-estar, o que impulsionou as vendas de plantas ornamentais.

Atualmente, a flor de corte tem se tornado uma forte tendência, principalmente entre supermercados, que se consolidaram como um dos principais canais de venda da empresa. “Nosso foco é vender através do supermercado, não apenas para o supermercado. Trabalhamos para fortalecer a recompra, a logística e a experiência do cliente”, afirma.

CRESCIMENTO E SUSTENDABILIDADE

Mesmo diante de oscilações de mercado e aumento de custos com insumos, o gerente prevê crescimento de mais de 30% em 2025. A Reijers aposta em inovação e sustentabilidade, adotando práticas como o reaproveitamento de água das chuvas e o uso de fertilizantes orgânicos e biológicos.

“Trabalhamos com políticas verdes, buscando conciliar produtividade e responsabilidade ambiental. É um ano de mudanças e desafios, mas o mercado segue aquecido”, aponta Matos.

O seminário reúne produtores, especialistas, empresas e gestores públicos para discutir temas como Segurança Hídrica, Tecnologia, Energia e Acesso a Mercados. O evento visa ao fortalecimento das cadeias de flores e hortifrúti.

PROGRAMAÇÃO – sexta-feira (24)

8h30 – Crédito e garantia: A Grande Alavancagem para Modernização e Expansão da Produção Agrícola

  • BB – Gerente de Negócios Agro e Agricultura do Ceará: Ângela Andrade

  • BNB – Gerente Geral do Banco do Nordeste de São Benedito: Paulo Medina

  • Sicredi – Gerente de Agência de Sobral: Aurinívia Frederico

9h40 – Case Fazenda Santo Expedito – Theodoro Jacob Swart

9h50 – Segurança Hídrica: Desafios e respostas inteligentes

  • Gestão Hídrica Inteligente para o Desenvolvimento – Diretora da Agência Nacional de Águas (ANA): Larissa Rêgo

  • Segurança Hídrica Integrada, Ciência e Gestão Juntas – Professor Titular Sênior da UFV: Everardo Mantovani

  • Moderadores: Secretário Executivo de Recursos Hídricos do Estado do Ceará, Engenheiro Ramon Flávio Gomes Rodrigues; Vice-Presidente da Faec, Inácio Parente

  • Presidente de Mesa: CEO do Coalizão Agro, Carlos Matos

11h45 – Painel: A Força que Nasce do Município e do Produtor

  • Moderador: Carlos Matos

14h – Força empreendedora da Serra da Ibiapaba

  • Cultivo protegido: avanço necessário para aumento de produtividade e proteção da sanidade das plantas – Diretor Comercial da Zanata Estufas, Diênisson Rodrigues

  • Presidente de Mesa: Professor Titular UFRPE-Uast, Geraldo Eugênio

15h – Agricultura Orgânica: Um Horizonte de Bons Negócios

  • Diretor da Terra Ecológica Consultoria e do Instituto Brasil Orgânico: Valdecir Queirós Filho

  • Aproximando a Ceasa do Produtor: Presidente da Ceasa, Hebert Lima

  • Presidente de Mesa: Professor Titular UFRPE-Uast, Geraldo Eugênio

16h – Açaí: uma oportunidade para o Ceará?

  • CEO da Agropar, Alberto Felix

16h30 – Desafios e compromissos para dinamização da economia agrícola na Ibiapaba

  • Entrega da premiação para produtores que contribuíram significativamente para o desenvolvimento da região

17h30 – Lançamento do Coalizão Agro 2026

18h – Visita aos expositores