Em entrevista ao Opinião CE, o deputado Felipe Mota (União) analisa os desafios da cadeia produtiva do leite no Ceará e argumenta que o aumento dos preços ao consumidor é por parte do mercado.
Sobre o aumento do preço do leite para o consumidor, enquanto há uma retração de 8% do preço médio ofertado pelo produtor, o deputado explicou o acordo estabelecido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC) com os produtores e a elevação dos valores aos consumidores por parte dos supermercados.
“Para produzir leite no Ceará o preço mínimo é R$ 2,17; o produtor vende um litro de leite com qualidade para a empresa por R$ 2,17. Quando o leite chega no supermercado, que ele olha lá a caixinha do leite, a caixa está R$ 6,95; o produtor fica chateado”, argumenta Felipe.
O deputado destacou que o Estado do Ceará é o segundo maior produtor de leite do Nordeste e possui praticamente uma única empresa que detém o controle e gera a precificação do leite.
Diante da situação, o deputado destaca a necessidade de um conselho privado que promova discussões entre a universidade, produtores e a federação, o “Conseleite”.
O CONSELEITE
Para analisar a precificação e distribuição do leite, a Federação da Agricultura, unida à Assembleia Legislativa, criou o “Conseleite”.
“Nós precisamos ter esse Conseleite para nós sermos justos. O Conseleite, eu acho que é mais uma tabela de justiça, para que todos consigam manter essa produção”, evidencia Felipe Mota.
No período de verão, durante seis meses, há um aumento dos insumos para produção de leite, o que eleva os preços. No entanto, durante o inverno, quando os pastos se recompõem naturalmente, ocorre uma baixa nos preços.
“O leite não é só a entrega do tambor, ele tem que ter a qualidade“, destaca o deputado.
Nesse contexto, o produtor que se prepara e tem uma condição financeira maior consegue manter a qualidade e o preço. A conta do grande produtor é diferente da do pequeno.
“Agora, o pequeno produtor, a conta dele é diferente, porque ele faz a conta do dia a dia. Eu entreguei 100 litros, eu vou receber X; eu entreguei 200 litros, eu vou receber X. É diferente de um grande produtor que entrega 8 mil, 10 mil, 15 mil”, destaca o deputado.

IMPORTÂNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Felipe Mota relembrou a extinção do algodão no Ceará nas décadas de 70 e 80 para destacar a necessidade de políticas públicas.
“Não teve política pública acompanhada, para que essa história do bicudo fosse combatida e hoje nós fôssemos ainda um dos grandes produtores de algodão do mundo“, analisou o deputado.
DIREITOS DOS PRODUTORES DE LEITE
O deputado evidenciou que produtores de leite abandonam a área porque não ganham o suficiente para viver no interior do Estado. Ele evidencia que deve ser um direito desses trabalhadores o acesso às ferramentas necessárias.
“O produtor de leite tem direito a ter um caminhão coletor, a ter uma caminhonetezinha para poder entregar esse leite, ter um trator para poder fazer a sua silagem, um parque organizado, uma energia solar para baratear a energia dele”, argumentou Felipe Mota.
O lucro com a venda do leite não supre o investimento no material de trabalho, por isso o produtor procura constantes empréstimos nos bancos e acumula dívidas.
“Mas ele não consegue com esse preço do leite, ele fica sempre buscando os bancos para poder sobreviver“, evidencia o deputado.
EMENDA DE PAGAMENTO DE DÍVIDAS
A Assembleia Legislativa votou em uma emenda que providenciou o pagamento de dívidas ao antigo Banco do Estado do Ceará (BEC), com 90% de apoio do Estado.
“Quantas pessoas não estão com o seu nome sujo porque querem assumir, querem pagar suas dívidas e não conseguem, porque só do campo é difícil”, afirmou o deputado.
MEDIDA PARA DIMINUIR O PREÇO AO CONSUMIDOR
Sobre o que pode ser feito para diminuir o preço do leite ao consumidor, o deputado propõe uma medida que firme um indexador, para promover justiça a todos os envolvidos.
“O indexador que ajude a todo mundo, que o produtor consiga também pagar no preço justo e que o consumidor, na prateleira, na gôndola do supermercado, também pague o preço justo”, explicou Felipe Mota.
Ele defende a transparência e um acordo com empresas e produtores para estabelecer valores fixos.
“Aqui é o momento de nós sentarmos, discutirmos, até para a sociedade saber que o preço do leite que está sendo pago hoje pela empresa está de X reais. Isso é importante e isso dá mais transparência ao processo“, finalizou o deputado.
