O mapa do empreendedorismo cearense passa por uma transformação. Antes, era comum precisar vir à Capital para abrir um negócio e garantir crescimento. Agora, o interior do Ceará vive um momento de expansão econômica, impulsionado pela tecnologia, pela modernização dos serviços públicos e por políticas que aproximam o desenvolvimento de quem vive fora da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
A avaliação é do presidente da Junta Comercial do Estado do Ceará (Jucec), Eduardo Jereissati. Segundo ele, o empreendedor do Interior já não precisa mais ir a Fortaleza para prosperar. “Essa é uma realidade que ficou no passado. O nosso papel tem sido criar condições para que as pessoas cresçam onde vivem”, afirmou.
INOVAÇÃO DIGITAL
Para o presidente da Jucec, a digitalização dos serviços públicos foi decisiva para essa nova fase. Atualmente, o processo de abertura de empresas é totalmente online, podendo ser feito de qualquer cidade cearense, até mesmo pelo WhatsApp. O assistente virtual Juca, que utiliza inteligência artificial, orienta o cidadão e realiza todo o trâmite de forma automatizada e validada pelo Gov.br.
Os resultados dessa modernização são expressivos. O tempo médio para abrir uma empresa caiu de 150 dias para apenas cinco minutos no caso de negócios de baixo risco. “A integração entre os órgãos públicos eliminou a repetição de etapas e documentos. Hoje, são os dados que circulam, não o cidadão”, destacou Jereissati.
NOVO PERFIL
A nova dinâmica econômica também está mudando o perfil empresarial do Estado. Dados da Jucec indicam que o setor de serviços superou o comércio e passou a ocupar o topo do ranking de empresas ativas no Ceará.
Atualmente, há cerca de 1,07 milhão de empreendimentos registrados. Desses, 41% pertencem ao setor de serviços, 38% ao comércio e o restante à indústria. Em Fortaleza, com 445 mil empresas, os segmentos de moda, turismo e têxtil continuam entre os mais representativos.
Essa transformação reflete, segundo Eduardo Jereissati, o comportamento das novas gerações. “Os jovens empreendedores, especialmente da geração Z, estão apostando em negócios digitais, tecnologia e inovação. Isso amplia o alcance da economia cearense e diversifica as oportunidades de trabalho”, explicou.
ECONOMIA LOCAL
Outro ponto enfatizado por Eduardo Jereissati é a possibilidade de iniciar atividades econômicas em espaços domésticos, o que é permitido pela legislação atual. “Hoje, é possível empreender no quintal de casa, gerar renda, empregar outras pessoas e movimentar a economia local. Essa é uma transformação silenciosa, mas muito significativa”, afirmou.
Segundo ele, o fortalecimento do Interior cria novos polos de consumo e renda, reduzindo a concentração econômica da Capital e promovendo uma distribuição mais equilibrada das oportunidades em todo o território cearense.
