A instabilidade global nos servidores da Amazon Web Services (AWS), registrada na manhã desta segunda-feira (20), voltou a acender o alerta sobre a concentração de data centers em poucas cidades do Brasil. Na última semana, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) comunicou ao Governo Federal os riscos de concentrar centrais de processamento de dados em poucas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza.
A falha na AWS afetou mais de 500 empresas e serviços populares como Prime Video, Alexa, Zoom, Snapchat, Fortnite e Roblox. O ocorrido evidencia a vulnerabilidade de sistemas que dependem de poucas grandes estruturas de nuvem – um ponto que vem sendo debatido pelo Opinião CE.
A AWS é a maior provedora mundial de serviços de computação em nuvem, oferecendo infraestrutura para armazenamento de dados e operação de aplicativos. Quando há interrupções, sistemas que dependem da plataforma ficam parcial ou totalmente fora do ar, como ocorreu nesta segunda.
Em comunicado, a Amazon afirmou que os serviços estavam “gradualmente voltando ao normal” por volta das 8h (horário de Brasília).
Alerta da Anatel sobre concentração de infraestrutura
O presidente do conselho diretor da Anatel, Carlos Baigorri, afirmou que a dispersão geográfica dos data centers aumentaria a segurança do sistema digital do Brasil. “Quando você coloca todos os ovos numa mesma cesta e tem um problema, isso tem repercussão muito grande para todo País”, disse Baigorri à agência de notícias Reuters.

Segundo ele, a desconcentração também fortalece a soberania digital e amplia a conectividade. A concentração em cidades como Fortaleza é potencializada pelos 17 cabos submarinos que chegam à Praia do Futuro, enquanto no Rio e em São Paulo, o poder econômico atrai novos empreendimentos, aumentando o risco de dependência regional.
“Se você tiver um apagão, um terremoto ou incidente, todos seriam afetados. É preocupante do ponto da gestão de riscos concentrar a infraestrutura digital em poucos locais”, acrescentou Baigorri.
Incentivo à regionalização com o Redata
O Governo Federal tem buscado enfrentar o problema com políticas de incentivo à dispersão regional de data centers.
Em setembro, o presidente Lula (PT) assinou a Medida Provisória do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que reduz contrapartidas para investimentos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) 2026, o Governo reservou R$ 5,2 bilhões para o programa, que, a partir de 2027, contará também com benefícios da reforma tributária.

Dependência global preocupa especialistas
Especialistas alertam que falhas como a da AWS evidenciam a dependência mundial de poucas empresas para a operação da infraestrutura digital.
O incidente desta segunda-feira serve como alerta sobre a necessidade de políticas que promovam segurança, redundância e regionalização da infraestrutura digital, minimizando riscos de falhas que podem afetar milhões de usuários e empresas.
Ceará receberá data center do TikTok em seis meses
Durante participação no Fórum Esfera, em Belém (PA), no último dia 10, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o início das obras do data center do TikTok no Ceará deve acontecer em até seis meses.
O projeto é uma parceria entre a empresa Casa dos Ventos e a ByteDance, dona do TikTok, com instalação prevista em Caucaia, na Grande Fortaleza, e investimento inicial de R$ 50 bilhões. O ministro ressaltou que o Redata foi fundamental para atrair o empreendimento ao Estado.
“O Governo Federal projeta um investimento de cerca de R$ 2 trilhões nos próximos 10 anos na área, e daqui a seis meses teremos efetivamente obras para receber o data center do TikTok”, afirmou Alexandre Silveira, na ocasião.
O projeto cearense integra a chamada Indústria 4.0 e é esperado com grande expectativa pelo governo estadual, que já tem sete outros projetos de data centers em andamento na Zona Portuária do Pecém (ZPE).
