Márcio Castellani, mentor e consultor de carreiras, destacou que os profissionais entre 30 e 50 anos vão passar pelo que é chamado de curva da produtividade humana. Nessa faixa etária, como explicou ele em entrevista ao podcast Entre Assuntos, do Opinião CE, é normal que a pessoa tenha uma queda de produtividade.
Segundo o especialista, com o início do declínio, os profissionais já precisam se preocupar em “reverter a curva”. “Nessa faixa, vai perder produção naturalmente. Esse profissional que já entrou em declínio precisa entender que tem que retomar a produção”, afirmou.
“É um trabalho que precisa de capacitação, renovação, energia, aprender outras coisas e desenvolver habilidades para entrar na segunda curva”, afirmou, referindo-se à “curva da sabedoria”.
De acordo com Castellani, a atual geração já sofre com consequências relacionadas à chegada das redes sociais e da crescente utilização de tecnologias no mercado de trabalho.
As empresas, como explicou o mentor, preferem contratar jovens, pessoas no vigor da idade e do desenvolvimento, e que não possuem dificuldade, por exemplo, em entender o mundo digital.
Mesmo que a população acima de 50 anos represente 22% da força de trabalho atual, apenas 5,6% das empresas reconhecem e dizem que contratam esses trabalhadores, conforme dados divulgados pelo entrevistado.
COMO RECONHECER E VIRAR A CURVA
Segundo o especialista, existem sinais para que o profissional reconheça que pode estar chegando à curva de declínio. Uma pesquisa de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) afirma que o declínio acontece “invariavelmente” entre os 35 e os 50 anos.
“Só existem dois tipos de profissionais no mercado: aquele que já passou e aquele que vai passar pelo declínio. Não tem conversa, é isso que vai acontecer”, afirmou.
Não existe motivo para se desesperar, já que, de acordo com ele, é possível retomar a curva da sabedoria. “Passa pela curva da ambição, da força, da velocidade do raciocínio e, depois, entra na curva da sabedoria, que pega o que aprendeu e vai ganhar dinheiro de forma inteligente”, disse.
Para identificar a curva em que está, no entanto, é preciso não ter medo para, então, trabalhar pela reversão, voltando a ter satisfação no trabalho, para produzir, ter resultado e conseguir um melhor ganho financeiro.
De acordo com o consultor, somente será possível melhorar o salário se houver iniciativa própria, “rompendo a bolha” da acomodação. “Rompe trabalhando os seus próprios conhecimentos”, pontuou, frisando a importância de sair da zona de conforto.
Os resultados estão aí. Castellani diz que vê as pessoas mudarem de vida quando elas se dispõem a isso.
“Chamo de combate ao etarismo. Trabalhar a outra face do etarismo, disruptivo: que as pessoas podem se sentir úteis e contribuir com a sociedade. Isso já está acontecendo”, acrescentou.
PRINCIPAIS DESAFIOS
Para alcançar os resultados, no entanto, há desafios que precisam ser contornados. Em sua grande maioria, segundo o mentor, o principal desafio é a tecnologia. Junto a isso, existe também a exposição.
“Muitas pessoas não querem se expor, não estão dispostas a expor as ideias e sua imagem, talvez por não ter familiaridade com câmera, com as redes sociais ou por serem tímidas”, afirmou.
Neste caso, o desafio é ensinar as pessoas a aprender o uso da tecnologia, iniciando no básico, do celular conectado com as redes sociais e como mexer nessas plataformas digitais.
O segundo momento, como continuou ele, é desenvolver a fala e a comunicação para que a pessoa consiga, de forma didática e compreensível, divulgar o conhecimento que tem e “transformar em algo maior do ponto de vista econômico e de colaboração com a sociedade”.
No mercado de trabalho, já existem empresas que colocam como “desejável” a boa comunicação e o exercício do papel de influenciador nas redes sociais. “Já tem empresa fazendo isso, porque ela quer transformar o usuário em um formador de opinião que agregue valor ao serviço que ela presta”, disse.
“Se as pessoas não se acostumarem com isso, vão, ainda com essa dificuldade, ter mais um problema: que é não conseguir fazer algo que as empresas estão precisando”, finalizou.
