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Lula chama América Latina de zona de paz e critica intervenções

Lula destacou que América Latina é um continente livre de armas de destruição em massa. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (20), a soberania da América Latina e destacou que é prioridade manter a região como “zona de paz”. Sua fala foi parte do discurso durante o recebimento de credenciais de 28 novos embaixadores no Brasil.

Ele criticou intervenções de países de fora da região e destacou que a América Latina é um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos.

Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”, disse o presidente aos diplomatas estrangeiros.

Para o presidente, a região passa por “um momento de crescente polarização e instabilidade”. Lula destacou que os embaixadores serão tratados e terão atenção do Itamaraty como se fossem amigos da nação há muitos anos.

“Porque o que nós queremos é mostrar ao mundo que precisamos fortalecer o multilateralismo, e o multilateralismo é baseado na boa relação cordial, comercial, econômica e, sobretudo, em uma relação pacífica, sem ódio, sem negacionismo e sem ferir o princípio básico da democracia e dos direitos humanos”, acrescentou o presidente.

Recentemente, o Brasil, em conjunto com a maioria dos países da América Latina, manifestou “profunda preocupação” com a movimentação militar “extra-regional” na região do Caribe.

O documento é uma referência indireta ao envio de navios, submarinos e militares pelos Estados Unidos (EUA) à costa da Venezuela.

Normalmente, Lula recebe os embaixadores em reunião privada em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Mas, por questões de agenda, nesta ocasião foi realizada uma cerimônia coletiva.

OUTROS TEMAS

Em seu discurso, Lula também falou sobre a importância da política internacional em seu governo e contou que já visitou 37 países em seu terceiro mandato.

Ele ainda destacou os eventos multilaterais que ocorrerão no Brasil este ano, como a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em novembro, e a Cúpula do Mercosul, em dezembro.

A partir de hoje, estão habilitados a despachar no país os representantes das seguintes nações: El Salvador, Albânia, Camboja, Tailândia, Tanzânia, Belarus, Quênia, Omã, República Dominicana, Burkina Faso, Bangladesh, Mauritânia, Sudão, Senegal, Uruguai, República Democrática do Congo, Suíça, Países Baixos, Bélgica, Emirados Árabes, Irlanda, Zâmbia, Áustria, Finlândia, Malásia, Gana, Líbano e Sri Lanka.

NOVOS EMBAIXADORES

Tradicionalmente, os governos fazem consulta ao país no exterior sobre a indicação de um novo embaixador para atuar em seu território. Na diplomacia, a consulta é chamada de agrément, que pode ser concedido ou não.

O embaixador, então, assume o posto após a entrega de documentos enviados pelo presidente de seu país ao governo do país onde atuará.

A apresentação das cartas credenciais ao presidente da República é uma formalidade que amplia as prerrogativas de atuação do diplomata no Brasil.

Caso a credencial não seja recebida pelo presidente, o embaixador não pode representar seu país em audiências ou solenidades oficiais, por exemplo.