Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançaram, neste mês, um passeio virtual pelo Parque Nacional de Jericoacoara.
Disponível na plataforma Geo 360º BR, a experiência imersiva permite que o público conheça dunas, trilhas, lagoas e demais atrativos do parque, enquanto aprende sobre a geodiversidade local.
A plataforma é resultado do projeto de Fomento ao Geoturismo do SGB, que disponibiliza passeios virtuais e guias digitais por diversos parques nacionais. Além de Jericoacoara, o site oferece visitas imersivas pelos parques da Serra da Capivara (PI), Serra do Cipó (MG), Seridó Geoparque Mundial da Unesco (RN) e Serra da Canastra (MG).
A iniciativa combina tecnologia e educação ambiental, incentivando o geoturismo consciente e promovendo a divulgação de parques nacionais e áreas de interesse para o turismo de natureza. O passeio reúne imagens aéreas em 360º, captadas por drones, além de fotografias, modelos 3D, vídeos e narrativas interpretativas, destacando a diversidade natural e as formações geológicas do parque, que abrange os municípios de Jijoca de Jericoacoara, Cruz e Camocim.
Também estão disponíveis informações sobre a flora e a fauna aquática da região.
“Os registros foram obtidos por meio de equipamentos de fotografia subaquática utilizados nas poças de maré e piscinas naturais ao longo do caminho que conduz à Pedra Furada”, explica Marcelo Soares, professor do Labomar e colaborador da iniciativa.
Atrativos
A Pedra Furada, localizada na faixa litorânea do parque, é uma formação natural esculpida pelo vento, pelas ondas e pelo tempo. Composta por arenitos avermelhados e amarelados, a estrutura é um dos pontos mais conhecidos de Jericoacoara e revela aspectos importantes da geodiversidade da região, resultado de milhões de anos de transformações geológicas.

Outro destaque é a Lagoa do Amâncio, que se forma com a água das chuvas entre as dunas móveis, criando paisagens que mudam de forma e cor conforme a estação. A plataforma também mostra a Árvore da Preguiça, com galhos retorcidos moldados pela ação constante dos ventos alísios, um dos cenários mais fotografados do parque.
Origem do projeto
A ideia do passeio surgiu a partir do Levantamento da Geodiversidade do Litoral Norte do Ceará, realizado em 2023 pelo SGB.
“Observamos a necessidade de levar conhecimento geocientífico, em linguagem mais simples e acessível aos turistas do parque e áreas afins, enriquecendo a experiência do visitante mesmo à distância”, afirma Almir Costa, coordenador do programa Fomento ao Geoturismo do SGB.
A seleção dos locais apresentados no passeio considerou dados do levantamento e estudos sobre pontos de interesse geoturístico e riscos geológicos, desenvolvidos a partir de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Labomar e o ICMBio. “A parceria combinou o conhecimento técnico e geocientífico do SGB e ICMBio com a expertise biológica e ecológica do Labomar”, destaca Tommaso Giarrizzo, professor visitante sênior do Labomar.
Educação ambiental e inclusão
Mesmo sendo o terceiro parque nacional mais visitado do Brasil, com mais de 1,2 milhão de visitantes em 2024, segundo o ICMBio, Jericoacoara ainda é pouco conhecida por sua diversidade natural e geológica. O passeio virtual aproxima o público da ciência e amplia o acesso ao parque para pessoas com mobilidade reduzida, democratizando o patrimônio natural e podendo ser usado em ações de educação ambiental e inclusão social, conforme Giarrizzo.
O material utiliza linguagem acessível, traduzindo conceitos geocientíficos de forma simples, objetiva e inclusiva. Está disponível em português, inglês e espanhol, e há estudos para a inclusão de audiodescrição.
A experiência imersiva também fará parte das exposições do museu da Estação Científica em Jericoacoara, unidade associada ao Labomar que será instalada na vila de Jericoacoara. O espaço da universidade promoverá a integração entre ciência, comunidade local e visitantes, despertando interesse por temas ambientais e pela cultura oceânica.
“A estação beneficiará a comunidade local, contribuindo para o desenvolvimento de um turismo mais sustentável na região”, complementa Soares.
