Ler é um exercício rico e complexo que envolve os dias de Fernanda “Fey” Marques. Pedagoga e educadora parental (e mãe de três), a cearense radicada nos EUA é extremamente fiel ao hábito. Tanto que no seu currículo cabe ainda outra definição: escritora.
A escritora Fernanda nasceu da leitora (e também da mãe-leitora Fey). “Defendo a leitura no meu perfil há dez anos. Leio para os meus três filhos desde que eles eram bebês”, conta a brasileira, que tem quase 70 mil seguidores nas redes e uma comunidade que acompanha seus projetos, com cursos, palestras e escritos. Seu novo projeto é uma coluna no OPINIÃO CE, que estreou na quarta-feira (15)
Após um livro crônicas, Fernanda Marques estreia como autora de um livro para crianças (e para quem lê com elas). O tema escolhido não encontrou concorrente capaz de batê-lo.
“O nome do livro é ‘A Mãe que Lia e é um livro sobre esses momentos de conexão e de vínculo que surgem a partir do momento da leitura em voz alta entre mãe e crianças.”
Fernanda conta que sempre quis escrever para o público infantil, mas resistia à ideia de publicar “qualquer livro”. “O que vejo muito no mercado editorial, mais especificamente na literatura infantil, são livros que meio que subestimam a inteligência da criança e acabam sendo ‘palestrinha’. Esse tipo de leitura tem um lugar, mas não é assim que nós adultos escolhemos os livros que queremos ler, por exemplo. Quem lê ficção, lê ficção porque gosta de ficção. Não lê só para aprender.”
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Na contramão do imediatismo, ela defende o prazer da leitura compartilhada, mesmo diante do cansaço cotidiano. “Muitas vezes a gente chega no fim do dia esgotado. A criança também passou o dia na creche. Mas é muito importante que você sente com ela, cinco minutos, dez minutos do seu dia, sem estar com o celular na mão, sem estar distraído com a TV”, explica, sem romantizar os desafios da rotina. “Você estar ali, disponível para essa criança, para esse momento de leitura, é riquíssimo. Esse é um momento de vínculo e onde muitas questões podem ser trabalhadas”, defende.
Exemplo
A escritora também fala sobre o papel do exemplo dentro de casa. “O exemplo arrasta. Então, se eu quero que os meus filhos leiam, tenho que ser exemplo disso. Na minha casa, tem livro em todo lugar… no quarto dos meus filhos, no meu quarto, na sala, é uma bagunça de livros em todos os lugares. E quando o meu filho nasceu, eu voltei a ler livros físicos porque não queria que ele me visse com o Kindle na mão. Queria que ele me visse com o livro na mão.”
Hoje, ela vê o resultado. “O meu filho de dez anos lê mais ou menos um livro por semana. Ele já leu a coleção inteira do ‘Percy Jackson’, já leu ‘Harry Potter’. São livros grandes! Eu vejo o quanto isso o ajuda de todas as maneiras na vida, de ter compreensão de mundo empatia”.
A leitura, para ela, é um hábito essencial. “Para mim, leitura é como a escovação dos dentes. Tem que acontecer todo dia aqui em casa. Essa condução tem que existir por parte dos adultos.”
Companheiros da vida
Fernanda também associa a leitura à própria história de vida. “Vim para os Estados Unidos com 18 anos. Saí do interior do Ceará, sem saber nada sobre a vida. Nesse momento que me encontrei totalmente sozinha, o que é que eu tinha? Os meus livros. Foi isso que fiz: fiquei lendo. Então, tenho muito essa convicção de que se eu dou aos meus filhos o presente da leitura, eu tô dando o presente de eles nunca estarem sozinhos.”
Em “A Mãe que Lia”, Fernanda retoma essas memórias e as transforma em narrativa. “O livro começa com a menininha que escutava as histórias da mãe até que chega o momento que ela se torna a mãe que lê histórias”, detalha.
A edição traz ainda um detalhe simbólico: “Na contracapa do livro ele vem com um cartãozinho de biblioteca, tipo a biblioteca da mamãe. Você pode colocar o nome da sua criança, o ano que ela nasceu e todos os livros favoritos, ano a ano”, conta a autora.
Para Fernanda, o gesto de ler junto é um modo de construir presença. “Eu acho que está se tornando até uma arte, digamos assim, perdida”, afirma. “Mas o ato”, lembra a autora, é simples, “basta sentar, abrir um livro e ler”. Uma porta se abre e, além dela, se encontram histórias e boas companhias.
Serviço:
A Mãe que Lia, de Fernanda Marques, com ilustrações de Carolina Lopes
32 páginas
R$ 59,90
Disponível no site da Editora Matrescência e nas redes da autora.
