O governo Lula (PT) iniciou uma série de exonerações de aliados do Centrão em cargos de segundo escalão após a derrota na Câmara dos Deputados com a derrubada da medida provisória (MP) que previa substituir o aumento do IOF por outra fonte de arrecadação.
A decisão é interpretada como uma resposta direta ao movimento de partidos da base que atuaram contra a proposta do Palácio do Planalto. O petista histórico e deputado estadual cearense, Acrísio Sena (PT), destacou que quem não estiver com o Governo [nas votações] tem que “pegar o beco”, fazendo uma referência aos parlamentares que estão sendo demitidos.
“Na hora da pauta positiva, aí está nos cargos e, na hora que é pra ajudar o Governo, ele vota contra… Acho que o Governo está correto [em demiti-los]. É pra chegar, daqui pra frente, e, quem estiver com o Governo continuar e quem não estiver, pegar o beco”.
As demissões atingem especialmente quadros ligados ao presidente do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), e a deputados do PSD, sigla comandada por Gilberto Kassab. Integrantes do União Brasil e do MDB também foram alcançados pela medida.
Segundo governistas, havia um acordo para aprovação da MP que acabou rompido durante a votação.
Apesar das retaliações, a presidência da Caixa Econômica Federal — ocupada por indicação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) — não deve ser alterada, conforme informações do g1. Lira se ausentou na sessão que derrubou a MP, o que foi interpretado pelo Planalto como um gesto de neutralidade no embate.
O movimento marca uma nova fase da relação entre o Governo e o Centrão, tradicionalmente baseado na distribuição de cargos e em votações negociadas. A estratégia do Planalto agora deve ser focada em recompor a articulação política e avaliar quais partidos permanecerão como aliados confiáveis nas próximas pautas de interesse do Executivo no Congresso.
