Nesta terça-feira (13), o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, pediu a condenação dos sete réus do Núcleo 4 da trama golpista. O plano buscava invalidar as eleições de 2022 e a posse do presidente Lula (PT), além de tentar manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.
Conforme o procurador, os acusados do grupo promoveram uma “guerra informacional” visando preparar terreno para o golpe de Estado, planejado por Bolsonaro e apoiadores do governo.
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Eles podem ser condenados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência, grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
“Foram os integrantes deste núcleo, agora em julgamento, que se dedicaram a fabricar e a disseminar narrativas falseadas, no intuito de incutir na população a convicção de que a estrutura democrática estava se voltando, sordidamente, contra o povo”, afirmou Gonet.
Já as defesas alegam que a PGR não conseguiu individualizar as condutas de cada réu nem apresentou provas cabais dos crimes. Segundo os advogados, o processo é composto apenas por indícios e suposições, numa narrativa genérica.
O julgamento começou na manhã de hoje.
ABIN PARALELA E DESINFORMAÇÃO
O PGR afirmou ainda ter apresentado provas sobre a existência da chamada “Abin paralela”, ação ilegal que teria usado a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar opositores políticos.
O objetivo, segundo Gonet, seria também fornecer material a ser trabalhado por disseminadores de informações falsas, com ataques ao sistema eleitoral e, em seguida, com campanhas difamatórias de autoridades.
Ainda segundo a denúncia, parte dos réus produziu um relatório falso, com informações técnicas, mas inverídicas, a respeito das urnas eletrônicas.
“Tal relatório foi utilizado para questionar o resultado da corrida presidencial de 2022, em que Bolsonaro saiu derrotado, inflamando a militância bolsonarista”, completou Gonet.
Confira a lista dos réus do Núcleo 4:
- Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército);
- Ângelo Martins Denicoli (major da reserva do Exército);
- Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente do Exército);
- Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército);
- Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército);
- Marcelo Araújo Bormevet (policial federal);
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal).
Outros dois núcleos ainda serão julgados. O julgamento do Núcleo 3 está marcado para 11 de novembro. O Núcleo 2 será julgado em dezembro.
Com Agência Brasil.
