Movidos pela fé, cerca de 2,5 milhões de fiéis participaram neste domingo (12) da 223ª edição do Círio de Nazaré, em Belém (PA).
A tradicional procissão percorreu mais de 52 quilômetros e marcou o reencontro da maior manifestação religiosa católica do país com o público, em um ano simbólico para a capital paraense, que sediará a COP30 em novembro.
Além de Belém, as cidades vizinhas de Ananindeua e Marituba também receberam romeiros e devotos que acompanharam a passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
O diretor de marketing do Círio, Flávio Américo, destacou o apoio do governo federal e do Ministério do Turismo:
“É muito importante para o desenvolvimento do turismo religioso. Cada Círio é uma emoção diferente”, disse.
O trajeto foi marcado por cenas de fé e devoção, com milhares de pessoas acenando, jogando papéis brancos dos prédios e tentando se aproximar da corda que conduz a berlinda da santa.
A motociclista e cantora Gaby Amarantos participou da moto romaria, que reuniu cerca de 50 participantes. A celebração também teve homenagens aos povos indígenas, com presença da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.
Entre os promesseiros estava a estudante Evelyn Silva, que percorreu o trajeto para agradecer a conquista de uma vaga em medicina.
“Fiz uma promessa quando tentei enfermagem e, antes de terminar o curso, passei em medicina. Estou pagando agora, com muita fé”, contou emocionada.
Outro destaque foi a participação das catadoras do projeto EcoCírio, que une fé e sustentabilidade. A ação, apoiada pelo Ministério das Mulheres, GIZ e Sebrae, envolve cerca de 200 catadores e dez cooperativas, responsáveis por recolher resíduos ao longo do percurso.
Em 2024, o projeto recolheu 140 toneladas de materiais recicláveis durante o fim de semana das procissões.
A diretora de Segurança de Trabalho e Renda do Ministério das Mulheres, Liliani Nascimento, ressaltou que o projeto integra políticas voltadas à valorização das catadoras e da economia do cuidado — temas que também estarão em pauta na COP30.
