Uma brincadeira de criança na pracinha da comunidade Autran Nunes foi o que levou o esporte elitizado do tênis para as crianças do local, através da estudante de Educação Física, Rayssa Soares, de 20 anos.
Rayssa começou a treinar tênis com seus irmãos, Lorenzo e Lucas Soares, com, respectivamente, 4 e 7 anos de idade, na quadra presente na pracinha do bairro, quando percebeu que já estavam rodeados de crianças interessadas em praticar o esporte.
Ela colocou os irmãos para vivenciar o esporte que pratica desde quando tinha 9 anos, mas não imaginava que haveria um interesse tão grande na comunidade.
“Onde eu moro, as crianças de lá não conhecem este esporte por ser caro e por não ter esse acesso à prática do tênis”, informou Rayssa.
O momento se tornou uma brincadeira com as crianças todas as sextas-feiras e nos sábados na quadra da pracinha.
TUDO COMEÇOU NA ESCOLA…
A atual estudante de Educação Física teve acesso ao esporte ainda no colégio. Foi no Raimundo Gomes de Carvalho, conhecido como CAIC, que a jovem teve acesso ao projeto social do professor Emerson Lucas, que ensinava tênis aos estudantes do ensino público.

Quem primeiro entrou para o projeto foi Rayssa, acostumada a participar de tudo na sua escola, a estudante resolveu praticar tênis com 8 anos, pertinho de completar 9 anos, como diz ela. Influenciado pela irmã, Ray Kennedy se envolveu nesse esporte um ano depois.
A estudante foi evoluindo, e seu desenvolvimento era marcado pelas cores das bolinhas. A primeira que a criança ganhava tinha cor vermelha, a segunda era laranja e a terceira é a cor oficial: a verde.
Além disso, a criança mudava de quadra de acordo com a evolução. O professor escolhia um local de treino maior para quem iria se destacando com o tempo. Após passar por todas essas etapas, Rayssa e Ray tiveram a oportunidade de treinar em clubes.
“Neste clube, passamos a treinar mais tempo e jogar torneios. Tivemos a oportunidade de jogar a Copa das Federações representando o Estado e torneios infantojuvenis. Tivemos o apoio do Bolsa Atleta“, destacou a atleta.
O SONHO DE UM PROJETO
Diante do interesse repentino das crianças da comunidade em praticar o tênis, a atual estudante de Educação Física deseja transformar a brincadeira em um projeto social consolidado.
“Acredito que crianças de periferia merecem uma chance para cada uma mostrar o talento que existe dentro de si“, afirmou a universitária.
A atleta pretende criar o projeto, mas, para isso, precisa de apoio. Ela não anunciou ainda por falta de materiais suficientes. Os recursos são caros, por se tratar de um esporte elitista.
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A própria entrevistada não teria acesso se não fosse por causa do projeto realizado por seu professor no colégio.
“O tênis precisa de um apoio, porque, assim como a história, venho de um projeto social e já passei por vários professores, de acordo com a minha evolução. E nunca paguei este esporte, até porque não teria como, é caro demais!”, argumentou Rayssa.
A entrevistada finalizou com a certeza de que o tênis é um esporte que muda vidas de pessoas, assim como mudou a dela. “Eu sou totalmente grata por este esporte e por todos que me apoiaram e me ensinaram cada vez mais”.
