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Documentário “A Rebelião dos Jangadeiros” tem pré-estreia em Fortaleza

Lúcia Simão Foto: Divulgação

Produção serve como abertura da Mostra Siará Cinema, da Secretaria da Cultura (Secult), que conta com homenagem póstuma à Lúcia Simão, pioneira em discussões raciais e luta antirracista no Ceará. Pré-estreia do documentário acontece no Cinema do Dragão, no próximo dia 15, às 18h.

A direção é de Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, com produção executiva de Íris Sodre, da Gavulino Filmes. “A Rebelião dos Jangadeiros” foi um projeto contemplado no XIV Edital Ceará de Cinema e Vídeo.

O longa destaca a Greve dos Jangadeiros de 1881, episódio importante para a abolição da escravatura no Ceará, no qual jangadeiros cearenses se recusaram a transportar povos escravizados para seus novos “patrões” no sul e sudeste do Brasil, até então colônia, nos dias 27, 29 e 30 de janeiro, na Praia do Peixe, que atualmente é a Praia de Iracema.

O filme inclui depoimentos do historiador Jones Manoel e Arilson Gomes, das antropólogas Antônia de Araújo e Vera Rodrigues, da cantora, compositora e ativista Mallu Viturino, do museólogo Saulo Moreno, do cientista social Hilário Ferreira, do desembargador André Costa e da fundadora do Grupo de Consciência Negra do Ceará (Grucon), Lúcia Simão, que faleceu em agosto.

Além do depoimento, a voz de Lúcia Simão pode ser ouvida no entoar do “loa“, canto de celebração de aspectos tradicionais da cultura afro-brasileira e orixás. A teóloga e filósofa será representada pela irmã, Maria Cleide, e o marido, William Augusto Pereira. O cientista social Hilário Ferreira, autor da pesquisa que gerou matéria e inspirou a produção do filme, também será homenageado.

“Quem não sabe de onde veio, não sabe pra onde vai”, diz a antropóloga Vera Rodrigues ao discorrer sobre a importância de conhecer as ações de seus antepassados para a construção de identidade.

A história intercala ficção com diálogos entre uma jovem (Sâmylla Costa) e sua avó (Adna Oliveira), refletindo à beira-mar sobre o movimento abolicionista e o tráfico de pessoas escravizadas, introduzindo referências a figuras históricas, como José Napoleão e sua esposa, Preta Simoa (interpretada por Marta Aurélia), e o abolicionista Chico da Matilde, conhecido como Dragão do Mar.

A discussão sobre a abolição no Brasil é atualizada, tratando da perpetuação da escravização do povo negro em temas como o racismo estrutural e reflexões sobre o que de fato mudou nos últimos cem anos em relação ao que essa população vive na “Terra da Luz”.