O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que o Brasil, nas negociações para reverter o tarifaço, vai oferecer os melhores argumentos econômicos aos Estados Unidos. O principal deles, segundo o titular da pasta econômica, é que a medida está encarecendo a vida do povo estadunidense.
De acordo com Haddad, os EUA estão pagando mais caro pelo café e pela carne, por exemplo. Donald Trump, na conversa que teve com o presidente Lula (PT) por ligação nesta segunda-feira (6), admitiu que o país está “sentindo falta” de alguns produtos brasileiros afetados pela sobretaxa de 50% aos produtos nacionais. Ele citou especificamente o café, conforme apuração da BBC News Brasil.
Em entrevista na manhã desta terça-feira (7) ao programa Bom Dia, Ministro, Haddad afirmou que o papel do Ministério da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) será “oferecer os melhores argumentos econômicos para mostrar, inclusive, que o povo dos Estados Unidos está sofrendo com o tarifaço”.
“Eles estão com o café da manhã mais caro, estão pagando o café mais caro, estão pagando a carne mais cara, vão deixar de ter acesso a produtos brasileiros de alta qualidade no campo e também na indústria”, disse Haddad.
Ainda conforme o ministro, os estadunidenses estão percebendo que as medidas mais prejudicaram do que favoreceram os Estados Unidos. Ele lembrou, aliás, que o país norte-americano possui superávit comercial em relação ao Brasil.
RECONSTRUÇÃO DO DIÁLOGO
Donald Trump e Lula devem se reunir presencialmente, conforme os dois chefes de Estado combinaram nesta segunda-feira.
Durante a videoconferência, que durou cerca de meia hora, o presidente brasileiro solicitou a retirada da sobretaxa e das medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras, como a Lei Magnitsky, que atinge ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar sequência às negociações.
De acordo com Haddad, muitos interlocutores sugeriram que o Governo Federal adotasse outra forma de conduzir o diálogo, mas, para o ministro, a diplomacia brasileira — “que é das melhores do mundo” — vai prevalecer. Ele afirmou acreditar que a estratégia definida por Lula renderá “os melhores frutos para o Brasil”.
“E penso que a diplomacia brasileira, com os argumentos que tem, vai saber superar esse momento que foi um equívoco muito grande, muito mais baseado em desinformação do que propriamente na realidade dos fatos”, concluiu.
