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Empreendedorismo feminino: desafios e conexões movem negócios de mulheres no Ceará

Cíntia Sousa, assistente da Unidade de Cultura Empreendedora do Sebrae Ceará. Foto: Vitória Galdencio/Opinião CE

Negócios liderados por mulheres no Estado, conforme dados da Junta Comercial do Estado do Ceará, cresceram 65,9%, no início do ano, em relação ao mesmo período de 2024. É o que destaca Cíntia Sousa, assistente da Unidade de Cultura Empreendedora do Sebrae Ceará, 

Entre os desafios da falta de oportunidade e da carga horária de cuidado, nos últimos 12 anos, no Brasil, o percentual de mulheres à frente de negócios cresceu 42%. É o que aponta o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com base nos dados da pesquisa PNADc, do IBGE.

Atualmente, segundo Sousa, embora a presença da mulher seja cada vez mais forte no setor de Serviços, como saúde, educação, beleza e cuidados no geral, esse público tem crescido em setores como Comércio.

Até mesmo a Indústria, que é majoritariamente ocupado por homens, tem sido também ocupado por mulheres, em especial na agricultura. 

“Isso reflete um cenário bem promissor, ao longo dos anos a gente vem tendo essa evolução do protagonismo das mulheres nos negócios, atualmente a gente tem uma percepção de cenário bem otimista”, pontua Cíntia.

Programa Mais Delas, no Sertão Central. Foto: Sebrae CE.

CONEXÕES PARA SUPERAR DESAFIOS

Segundo a assistente da Unidade de Cultura Empreendedora, há dois grandes grupos de empreendedoras mulheres. No Sebrae, são muitas as atividades que buscam desenvolver ambos os públicos.

O primeiro perfil é de mulheres que vão para o empreendedorismo por oportunidade, aquelas que já possuem habilidades e competências bem afloradas. O segundo é por necessidade, aquelas que precisam de renda extra, mas que ainda não possuem tantos conhecimentos na área.

“O Ceará recentemente, em uns 2, 3 anos, recebe essa ação mais estruturada, e hoje a gente tem capacitações e desenvolvimento, que envolvem trilhas, oficinas, e eventos em grande porte direcionados para incentivar e conectar mulheres”, complementa.

Uma das iniciativas é o evento itinerante Mulheres que Movimentam, que estará presente na Feira Empreendedora, evento realizado pelo Sebrae, entre os dias 8 e 10 de outubro, em Fortaleza.

Para Cíntia, a ideia das ações é construir conexões e redes para superar desafios. Ainda sub-representadas frente à presença masculina, nos últimos 3 meses de 2024, dos 30,4 milhões donos de negócios no país, 10,4 milhões eram mulheres, ainda com base na PNADc.

Foto: Sebrae Ceará

MULHER E EMPREENDEDORA: UM DESAFIO DIÁRIO

No Brasil, 52,3% das empreendedoras brasileiras são chefes de domicílio. São elas as principais provedoras das suas famílias, e isso cresce entre mulheres negras, em que o percentual chega a 55,8%.

No Sebrae, como ressalta Cíntia Sousa, nas formações e atividades, há um foco nas habilidades comportamentais e pessoais, na busca de preparar e criar redes de apoio entre essas mulheres.

“Quando a gente faz as trilhas, trazemos muito forte esse trabalho interno, para que elas não se sintam culpadas de ir para o negócio, e muitas vezes, deixar a família para focar nos empreendimentos. E isso é algo que, se não for trabalhado, vai realmente impactar nos negócios e o percentual de sucesso vai cair”, ressaltou Cíntia.

Conforme a assistente, mulheres dedicam mais tempo à casa, cuidado da família e afazeres domésticos, o que impacta nos negócios, mas são mais capacitadas que os homens.

“As mulheres investem muito na educação e na capacitação e desenvolvimento pessoal dos filhos e delas mesmas, elas gostam de cuidar de uma forma geral. Se fizer um comparativo, elas são bem mais capacitadas educacionalmente que os homens, isso é um reflexo do posicionamento de que é preciso ter esse investimento”, aponta Cíntia.

No entanto, os empreendimentos femininos ainda têm uma grande chance de não dar certo, devido a outras atividades, como o trabalho de cuidado. Ainda segundo o mesmo levantamento do Sebrae, a média de horas investidas pelas mulheres em seus negócios é de 35 horas semanais, enquanto a dos homens é de 43 horas. 

 “Elas têm menos tempo para inovar, para criar, para investigar, e até para se capacitar também. Muitas delas optam pelo trabalho familiar. As mulheres sempre foram as cuidadoras. Já o homem pode continuar no seu negócio porque sempre vai ter a figura de alguma mulher para dar um suporte dentro de casa”, ressalta.

Confira entrevista completa com Cíntia Sousa: 

DIVERSIDADE E REPRESENTATIVIDADE

Entre os dias 8 e 10 de outubro, Fortaleza recebe a Feira Empreendedora e o Siará Tech Summit 2025 (STS). No Centro de Eventos, a programação é uma realização do Sebrae/CE. A estrutura conta com 13,5 mil m², e a expectativa é reunir mais de 30 mil pessoas entre startups, investidores, empresas, instituições e profissionais de tecnologia.

Como pontuou Cíntia Sousa, o evento vai contar com a Estação Plural, espaço voltado para representatividade de mulheres, pessoas com deficiência, da comunidade LGBTQIAPN+, negras e  60+,

“No Sebrae a gente chama de grupos sub-representados, a gente não chama de minoria, porque eles não são minoria na verdade, são maioria, mas tem sub-representação porque não tem tantas oportunidades quanto os outros grupos”, completa.

 O evento recebe também a feira Espaço Plural e um estúdio de fotografia, com workshop sobre posicionamento e marca pessoal. Os empreendedores ainda receberão fotos profissionais.