A Associação Beija Flor, referência no atendimento a pessoas com malformações craniofaciais no Ceará, vive um momento de expansão. A instituição, que completa 25 anos de existência, anunciou a criação de um centro operatório próprio, previsto para ser concluído até dezembro deste ano.
A informação foi anunciada em entrevista ao programa Entre Assuntos, do Opinião CE, pela nutricionista Gleiciane Quaresma e pela assistente social da instituição, Lúcia Duarte.
Durante a entrevista, as profissionais destacaram o compromisso da Associação com a inclusão social, a reabilitação precoce e o acolhimento familiar. O novo centro de cirurgia nasce do desejo de oferecer tratamento no tempo certo, evitando que os pacientes desenvolvam sequelas mais graves.
“Aconteceu justamente desse desejo de tratar esse paciente no tempo certo, para que ele não tenha tantas sequelas“, explicou Gleiciane Quaresma.
Segundo as entrevistadas, o centro deve iniciar seus atendimentos a partir de março do próximo ano, após ajustes e processos regulatórios. A meta inicial é realizar 40 cirurgias, beneficiando diretamente pacientes que antes enfrentavam longas esperas ou deslocamentos para outros estados.
CAPACITAÇÃO PARA AS FAMÍLIAS
Durante a entrevista, Lúcia Duarte ressaltou a importância da escuta ativa no acolhimento dos pacientes e o cuidado com o aspecto emocional. Segundo ela, a equipe atua de forma integrada para encaminhar rapidamente os casos que exigem atenção especial.
“A gente já identifica, já vai com ele até a recepção, chega para a recepcionista e diz: ‘Olha, esse paciente aqui precisa, com mais urgência, de uma psicóloga’. Por isso, a nossa escuta precisa ser ativa, precisa ser uma escuta qualificada. É preparada uma agenda para aquele paciente dentro dos diversos serviços”, explicou.
A Associação Beija Flor oferece acolhimento humanizado às famílias, com destaque para os projetos voltados às mães dos pacientes. Enquanto os filhos passam por atendimentos, as mães participam de rodas de conversa, oficinas de artesanato e outras atividades que podem, inclusive, se tornar fontes de renda.
“A gente admira muito essas mães. Lá nós temos também assistência, o projeto do artesanato, rodas de conversa… Ali nós trazemos temas que possam ajudar no dia a dia dessas mães. Enquanto o filho está sendo atendido na parte de saúde, a mãe está sendo acolhida e, de repente, aprendendo uma atividade que pode ser uma fonte de renda”, compartilhou Gleiciane Quaresma.

ATENDIMENTO TAMBÉM PARA ADULTOS
O novo centro cirúrgico da Associação Beija Flor também se propõe a atender pacientes adultos que não tiveram acesso ao tratamento adequado durante a infância. A expectativa é oferecer uma nova oportunidade de reabilitação para essas pessoas, que muitas vezes chegam à instituição enfrentando não apenas questões físicas, mas também emocionais.
A nutricionista destaca que, em muitos casos, a fissura já vem acompanhada de ansiedade, depressão ou outras condições psicológicas que precisam ser tratadas em conjunto com os aspectos físicos. “A gente já vai iniciar primeiro esse tratamento. Na nossa equipe, nós temos também psiquiatra que pode acolher esse paciente. Depois dos 18 anos, não existe mais local de cirurgia, então, no centro, será possível realizar toda a reabilitação, desde a cirurgia até o acompanhamento com todos os profissionais”, afirmou.
ENGAJAMENTO E FORMAÇÃO DE NOVOS PROFISSIONAIS
Além do atendimento aos pacientes, a Associação Beija Flor também se dedica à formação de novos profissionais e à mobilização de voluntários. Para atuar na instituição, é necessário ter especialização na área, mas o envolvimento começa ainda na graduação, por meio da Liga Acadêmica. “É uma causa que apaixona. Temos profissionais desde 2013 com a gente”, finalizou Lúcia Duarte.
OPORTUNIDADES NO MERCADO DE TRABALHO
Outro destaque da entrevista foi o projeto que permite que pacientes da própria instituição façam estágio na Associação, promovendo autonomia e inserção no mercado de trabalho.
“Como essas portas muitas vezes assim são fechadas, lá eles conseguem aprender e ali a gente os encaminha para o mercado de trabalho. Já temos alguns casos já de sucesso que nós conseguimos inserir“, ressaltou Gleiciane.
Fundada em dezembro de 2001 e registrada oficialmente em janeiro de 2002, a Associação Beija Flor atua na habilitação, reabilitação e defesa de direitos sociais de pessoas com malformações craniofaciais. Com sede no Ceará, a instituição é totalmente regularizada e tem se consolidado como um espaço de esperança, dignidade e transformação social.
Assista à entrevista completa:
