A demarcação física do território indígena Tapeba, em Caucaia, foi concluída em ato nesta sexta-feira (26). A ação ocorre por meio do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em parceria com a Secretaria dos Povos Indígenas (Sepince).
Com a instalação do último marco, o território Tapeba chega a 5.294 hectares, onde vivem mais de 3,6 mil famílias cadastradas pela Funai.
O território Tapeba é a quarta e última terra demarcada dentro do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre Idace, Sepince e Funai, em novembro de 2023. Antes dele, já haviam sido reconhecidas as terras Tremembé de Queimadas, Pitaguary e Lagoa Encantada, homologadas em agosto de 2025 pelo presidente Lula (PT).
O povo Tapeba foi um dos primeiros no Ceará a iniciar a luta pela demarcação de terras, tornando-se referência de resistência e afirmação de identidade.
RECONHECIMENTO HISTÓRICO
Para a secretária dos Povos Indígenas do Ceará, Juliana Alves, a conclusão do processo é um marco para todos os povos indígenas do Estado. “A demarcação física simboliza o reconhecimento da luta e da resistência de um povo que esteve na linha de frente pela defesa do seu território. Estamos confiantes e torcendo para que, em breve, este território também seja homologado”, destacou.
Segundo o superintendente do Idace, João Alfredo Telles Melo, os trabalhos de georreferenciamento da terra Tapeba foram realizados desde novembro de 2024.
“Com a conclusão dessa etapa, o Ceará passa a contar com seis terras indígenas demarcadas. Esse é um passo de reparação histórica que assegura direitos ancestrais e reafirma o compromisso do Governo do Ceará e do governador Elmano com a luta dos povos indígenas”, afirmou.
O coordenador regional da Funai no Nordeste, Thiago Halley Anacé, também celebrou a conquista. “Finalmente podemos dizer que a terra de fato pertence ao povo Tapeba, que poderá usar com total domínio e continuar vivendo livremente dentro desse território”, afirmou.
Texto de Herbert Seabra.
