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Mesmo com tendência de queda, 68,7% de moradores de Fortaleza estão endividados

A Pesquisa do Endividamento do Consumidor em Fortaleza, divulgada pela Fecomércio Ceará por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), revela que 68,7% dos fortalezenses estão endividados em setembro.

O que representa uma queda de 4,3 pontos percentuais em relação a agosto, quando o índice era de 73%.

O percentual também ficou abaixo do registrado no mesmo mês de 2024 (75,1%), mantendo a tendência de retração observada desde novembro do ano passado.

O levantamento aponta que o perfil mais endividado é composto por homens (69,3%), pessoas com idade entre 25 e 34 anos (77,7%) e famílias com renda mensal entre três e sete salários-mínimos (69,6%).

INADIMPLÊNCIA AINDA PREOCUPA, MAS ORÇAMENTO MELHORA

Apesar da queda no endividamento geral, a inadimplência segue praticamente estável.

A parcela de consumidores com contas atrasadas subiu ligeiramente para 21%, ante 20,6% em agosto, mantendo-se próxima do patamar de 21,3% registrado em setembro de 2024.

A média de atraso é de 72 dias, e as principais causas são o desequilíbrio financeiro (47,4%) e o adiamento do pagamento para outras finalidades (45,2%).

O estudo indica que os fortalezenses comprometem 38,1% da renda familiar com dívidas, queda de 6,1 pontos percentuais em comparação a agosto (44,2%). O valor médio devido é de R$ 1.831, com prazo médio de oito meses para quitação.

Os cartões de crédito continuam sendo o meio de crédito mais utilizado (77%), seguidos por financiamentos bancários (16,7%), empréstimos pessoais (9%) e carnês e crediários (4,1%).

As compras de alimentos a prazo (57,7%), itens de vestuário (26,6%), aluguel (24,3%) e tratamentos de saúde (22,1%) são os principais fatores que impulsionam o endividamento.

QUEDA NA INADIMPLÊNCIA POTENCIAL E IMPORTÂNCIA DO CONTROLE FINANCEIRO

A pesquisa também apontou uma queda na taxa de inadimplência potencial, que passou de 10,2% em agosto para 9,3% em setembro, número inferior ao registrado em 2024 (12,6%).

O perfil mais vulnerável continua sendo o masculino (10,9%), com mais de 35 anos (10,5%) e renda inferior a três salários-mínimos (9,9%).

Para a diretora institucional da Fecomércio Ceará, Cláudia Brilhante, a redução do endividamento sinaliza um cenário mais favorável para o consumidor.

Essa redução está abrindo espaço para um consumo mais equilibrado nos próximos meses, evidenciando uma melhora gradual no poder de compra dos consumidores de Fortaleza”, avaliou.

A0 pesquisa mostrou ainda que 73,9% dos consumidores fazem orçamento mensal e acompanham seus gastos de forma eficaz, o que contribui para a redução do endividamento.

Por outro lado, 13,6% fazem o orçamento, mas não controlam as despesas, e 12,4% não possuem qualquer controle financeiro.

Entre os principais motivos para o desequilíbrio, destacam-se a falta de controle de gastos (55,6%), o aumento de despesas essenciais (21,9%), as compras por impulso (19,7%), gastos imprevistos (17,7%) e o desemprego (14,1%).

A redução no endividamento dos fortalezenses em setembro indica um cenário econômico mais equilibrado, com melhor gestão financeira e controle dos gastos familiares.

Embora a inadimplência ainda apresente resistência, a queda gradual nos índices e o aumento do planejamento orçamentário reforçam uma perspectiva mais positiva para o consumo no fim do ano.