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Ceará lidera produção têxtil no Nordeste e reforça papel no setor nacional

Com uma produção anual de 1,3 bilhão de peças e responsável por empregar quase 200 mil pessoas, o Nordeste se consolida como um dos grandes protagonistas da indústria têxtil brasileira. Dentro dessa potência produtiva está o Ceará, que abriga mais de 5% das empresas têxteis do país e lidera o setor na região.

A indústria têxtil brasileira é uma das poucas no mundo com cadeia produtiva completamente verticalizada, do algodão ao vestuário pronto para o consumo. O Nordeste tem papel fundamental nessa engrenagem. Só na região, são 75 fiações, além de tecelagens, malharias e empresas de beneficiamento.

“Temos que proteger esse mercado, porque ele gera emprego do campo até o varejo”, destaca Hélvio Pompeo Jr., diretor da Febratex Group, em entrevista ao Opinião CE.

AMEAÇA EXTERNA E O RISCO DA DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Apesar da força produtiva, o setor enfrenta um problema sério: a entrada maciça de roupas prontas produzidas na Ásia, principalmente em países como China, Vietnã e Bangladesh, que vendem com valores muitas vezes incompatíveis com os custos da produção brasileira.

O resultado, segundo Hélvio Pompeo, é um processo de desindustrialização nacional.

“Quando uma roupa entra pronta no Brasil, ela destrói toda a indústria brasileira e desindustrializa toda a cadeia, desde o algodão até a confecção. Precisamos valorizar nossa produção, gerar valor agregado e investir em qualidade e tecnologia“, ressaltou.

Além de sua força produtiva, a indústria da moda no Brasil emprega mais de 8 milhões de pessoas, sendo o segundo maior setor empregador do país. “São muitas famílias. É o mercado que mais emprega mulheres, então, a gente tem que olhar com carinho e proteger nossa indústria”, afirmou o diretor.

VALORIZAÇÃO DA MODA BRASILEIRA

Pompeo ressalta, ainda, a importância de cultivar um consumo consciente e nacionalista. “As pessoas têm que saber quando elas compram algo no Brasil, o dinheiro fica aqui. Tanto para vestuário, quanto para gastronomia, quanto para turismo. Então a gente precisa criar essa mentalidade do que o nosso é melhor, e é melhor”, apontou.

Além da discussão econômica, há um movimento cultural que busca valorizar o produto nacional. Hélvio defende que é preciso criar uma mentalidade de que o que é feito no Brasil tem qualidade, identidade e valor agregado.

“Já morei na Europa e na América do Norte, e posso afirmar, o Brasil tem coisas incríveis daqui, muito melhor de qualquer lugar do mundo“, finalizou.

TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E CONEXÕES

Com o avanço das tecnologias e a digitalização da moda, o setor vê na inovação e no networking grandes aliados para se reinventar. Segundo Hélvio, eventos como as feiras Maquintex, Signs e Pack&Graph, que acontecem anualmente em Fortaleza, são fundamentais para promover essa troca.

A escolha de Fortaleza como sede de feiras nacionais do setor não é à toa. Além da localização estratégica e da boa infraestrutura, o Estado se posiciona como um dos centros mais promissores da nova moda brasileira.

Com 500 marcas120 expositores80 palestras gratuitas e mais de 50 horas de programação, o evento consolida o Ceará como um dos principais polos industriais do Brasil. A estrutura ocupa 14 mil m² do Centro de Eventos e contará com uma programação intensa, incluindo desfiles, workshops, talk shows e o tradicional Campeonato Brasileiro de Envelopamento Automotivo (Cambea).

O Brasil ainda precisa crescer muito nesse quesito da moda brasileira, explorar o DNA da moda brasileira, nosso lifestyle. Juntando isso, networking, tecnologia, a gente pode, com certeza, competir com essas empresas asiáticas, que cada vez mais estão colocando aqui roupas prontas, roupas feitas já no Brasil”, afirmou Hélvio.

“A proposta ainda precisa ser melhorada, para ter isonomia, né? A gente não quer não quer prejudicar ninguém, a gente quer proteger, só e ter igualdade de produção perante os asiáticos, China, Vietnã, Bangladesh e outros países também. E eu acho que o governo tem que ficar de olho nisso, porque é muita gente, cara. São 8 milhões de empregos que a moda gera no Brasil“, afirmou o Diretor da Febratex, Hélvio Pompeo Jr.

Um dos temas que têm mobilizado o setor nos últimos meses é a Lei 14.902/24 (apelidada de “taxa das blusinhas“), proposta que busca equilibrar a concorrência entre os produtos importados e a produção nacional. A medida visa regulamentar a entrada de produtos de vestuário com baixo valor declarado, prática comum em plataformas internacionais.

“A proposta ainda precisa ser melhorada, para ter isonomia. A gente não quer prejudicar ninguém, a gente quer proteger, só e ter igualdade de produção perante os asiáticos, China, Vietnã, Bangladesh e outros países também”, defendeu o diretor da Febratex.