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Polo Industrial de Maranguape prevê investimento milionário e geração de 12 mil empregos

O município de Maranguape passa por um momento que deve ser um divisor de águas no seu desenvolvimento econômico. A implementação de um Polo Industrial, já iniciada e com previsão para ser finalizada até 2032, deve gerar 12 mil empregos diretos e indiretos.

O complexo, que receberá até 31 empresas em sete anos, já está com a primeira etapa — aterramento, limpeza do terreno, terraplanagem e demarcação dos lotes — em processo de finalização.

Já há, inclusive, um acordo com a Enel para levar energia ao complexo, em um investimento de R$ 19 milhões, e com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), para puxar a água às companhias.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Maranguape, Roger Marques, explica que o projeto será a virada de chave para a cidade. “Costumo dizer que Maranguape, após o Polo Industrial, terá outra visão”, disse, destacando que o prefeito vem “trabalhando muito” para que isso aconteça.

Uma das companhias, a Alyne Cosméticos, empresa que atua desde 1986 no ramo de higiene e cosméticos, já está com obras adiantadas para se instalar e deve começar a montar a sua fábrica do final de outubro ao começo de novembro, como informa o secretário. A empresa deve gerar 400 empregos. Outras 30 já estão com o protocolo de intenção assinado e já possuem terrenos doados.

Para a instalação das demais companhias, são necessários, além da segunda etapa das obras de infraestrutura, trâmites como a limpeza do terreno e a aquisição de licenças.

Átila Câmara (PSB), prefeito reeleito no ano passado para mais um mandato à frente da gestão maranguapense, detalha que o objetivo é ter oito empresas instaladas até 2028, último ano à frente do Executivo municipal.

“Minha expectativa é concluir a infraestrutura de todo o Polo, deixar com a infraestrutura montada para que todas as empresas possam se instalar”, acrescentou o chefe do Executivo.

A inauguração da sede está prevista para setembro de 2026. Foto: Reprodução/Prefeitura de Fortaleza

ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS

As empresas a serem instaladas no Polo já estão na periferia de Fortaleza ou em outras cidades da RMF, como Maracanaú e Caucaia. É o caso da Alyne Cosméticos.

Paulo Gurgel, fundador e diretor da Alyne, afirmou que a motivação para a instalação de uma nova sede foi o crescimento da empresa. “A área em que a gente está instalado em Caucaia, hoje, é relativamente pequena, não nos cabe mais”, explica. “Apareceu a questão do Polo de Maranguape e eu fiz uma reserva de terreno. Vou construir mais uma unidade do Grupo Alyne”.

O investimento é de R$ 50 milhões, com a previsão de gerar cerca de 500 empregos.

Gurgel detalha que todas as licenças necessárias, como a ambiental e o alvará de construção, já foram obtidas. No dia 17 de setembro, o diretor se reuniu com os engenheiros que vão realizar a obra.

A previsão é que a estrutura comece ainda em setembro. “A partir do início de outubro, vou começar a construção propriamente dita, cavando os alicerces, cavando as bases, porque eu quero, até dezembro, estar com toda a estrutura do galpão”, afirmou.

A inauguração da sede está prevista para setembro de 2026, já que, após a estrutura, ainda é preciso realizar obras internas. No mesmo mês, há a possibilidade de a produção já ser iniciada. “Vou ficar dependendo somente de autorizações dos órgãos regulatórios”, comenta Paulo.

GESTÃO DO ESPAÇO

Átila Câmara destaca que, para a construção do Polo, um movimento importante foi a articulação junto à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e com quatro sindicatos: de confecção e roupas, um do setor químico e outro do metalúrgico.

O terreno, comprado por R$ 200 milhões pela Prefeitura, foi repassado ao Instituto Orbitar, ligado à Fiec. O presidente do Instituto, Marcos Soares, lembra que os setores contatados para a construção do complexo serão todos contemplados com empresas no Polo.

Ele destaca que o Orbitar selecionou as empresas por meio dos sindicatos, elencando as mais dispostas a se instalar.

“Fizemos isso no final de 2023, e a Prefeitura doou vários lotes de terreno para esses setores. Em 2024, a gestão municipal já começou a construção da infraestrutura”, explica.

Conforme o presidente, o equipamento será “bem moderno”, com uma portaria única para todas as companhias, em um modelo de condomínio, e com balança para pesagem de carga.

Paulo Gurgel, que, além de diretor da Alyne, é presidente da Associação das Empresas do Polo Industrial de Maranguape, destaca que o modelo funciona bem, pois divide os custos. Só com a sua empresa, a previsão é que ele tenha uma redução de até 80% dos gastos com portaria e vigilância, por exemplo. “No condomínio, com 15 pessoas, 20 pessoas, você faz a segurança do imóvel inteiro. De vigia, de portaria e tudo, isso divide custos”, pontuou.

No complexo, será cobrada uma taxa das empresas, valor que será utilizado para bancar a manutenção do Polo. Além da portaria e da pesagem, haverá o compartilhamento da prestação de serviços, por meio do Sistema S. Também haverá estacionamento para os caminhoneiros dentro do Polo, com piso todo em intertravado.

Ainda como destaca Marcos Soares, ao lado do Polo há um lago que adentra parte do terreno do complexo. Ficou acertado que a Prefeitura realizará a urbanização do espaço, que ficará aberto para a visitação da população.

No complexo, haverá a implementação de uma medida para que os terrenos doados não fiquem baldios caso uma empresa desista de se instalar.

“Se uma empresa desistir de ir, a empresa vizinha tem a preferência. Ao invés de ficar uma a mais, fica uma a menos, mas a que incorporou aumenta o tamanho do terreno dela, a quantidade de investimento e a quantidade de empregos gerados”, afirma o presidente.

As empresas poderão fazer financiamentos por meio do BNB. Foto: Reprodução/Prefeitura de Caucaia

SETORES DO COMPLEXO

Marcos Soares, do Instituto Orbitar, detalha que os setores de confecção e de roupas já estão contemplados no planejamento tributário do complexo, e os setores metalmecânico e químico terão incentivos conforme o porte e o investimento de cada empresa. 

O prefeito Átila Câmara trabalha junto ao Governo do Ceará e com a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) para a concessão dos benefícios fiscais do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI).

POLÍTICAS DE INCENTIVO

As políticas de implementação do complexo industrial incluem, ainda, ações de incentivo. Marcos Soares ressalta que, após a finalização das obras de infraestrutura das vias internas do Polo, as empresas que receberam a doação dos terrenos possuem um ano para começar a construir a sede e dois anos para funcionar.

Caso a construção não se inicie no prazo de um ano, a companhia receberá uma notificação do Orbitar, por meio da Prefeitura, com o pedido para que se posicione em relação à construção, apresentando o projeto arquitetônico e as licenças. O prazo, após a notificação, é de 30 dias.

“Na hora que ela [empresa] não apresenta isso, a gente informa à Prefeitura que ela não está apta, e a gestão faz a reversão do terreno”, explica.

Conforme ele, não é de interesse nem do Instituto, nem da gestão municipal, que algum terreno fique desocupado. “A Prefeitura doou os terrenos e fez um investimento para gerar emprego e renda para o município”, pontua.

As empresas poderão fazer financiamentos por meio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Outra ação, que objetiva manter as companhias no município, como explica o prefeito Átila Câmara, determina que o BNB somente aceite o terreno como garantia do empenho do financiamento nos casos em que o dinheiro seja utilizado para construir o galpão na cidade.

Outra medida, segundo o secretário de Desenvolvimento de Maranguape, Roger Marques, é o abatimento do ICMS às companhias. A porcentagem ainda não está definida e deve variar de setor para setor e de empresa para empresa.