O Gavião da Serra, que completa 30 anos de fundação em 2025, vive um momento histórico e um misto de sentimentos. Ao mesmo tempo em que o clube comemorou o título da Série B do Cearense, viu a perda daquele que ajudou a construí-lo, o ex-presidente Manoel Bocão, que se dedicou por 42 anos ao futebol maranguapense.
O Maranguape Futebol Clube passa, então, a ser comandado pelo filho de Manoel, Brunno de Paula. Conforme o novo dirigente, o momento, de muita dificuldade, requer responsabilidade.
“Acompanhei o time durante toda a minha vida. Desde que comecei, com 6 para 7 anos, fui me preparando para um dia assumir [o clube]. Imaginava que seria algo para daqui a uns 10 anos, uma passagem de bastão com ele [pai] ao meu lado, e não dessa maneira”, disse.
O novo presidente afirma que, da gestão do seu pai, o maior pilar que ele pretende levar é o de clube pagador, que paga em dia. “Não é um clube que vá pagar um salário tão alto, porém, ele paga rigorosamente em dia.”

- Este conteúdo faz parte de uma série de reportagens exclusivas do Opinião CE sobre a cidade da Região Metropolitana de Fortaleza. Ao longo de entrevistas, apresentação de dados e informações exclusivas, a reportagem traz mais detalhes sobre como é viver em Maranguape.
- Confira aqui a primeira reportagem da série, mostrando a cidade como destaque em eficiência e qualidade dos serviços públicos. A reportagem também traz detalhes sobre a Casa do Chico Anysio, espaço que deve integrar meio ambiente, cultura e turismo.
NA ELITE DO CEARENSE
Brunno reconhece que é uma pressão “muito grande” assumir o clube na primeira divisão e que, no primeiro momento, o objetivo é permanecer no mais alto nível do futebol cearense. “Todo clube, quando ele tem o acesso para uma divisão, naquela divisão que ele entra, já começa como um dos favoritos a cair. Isso é normal”.
Conforme ele, isso não significa pensar pequeno, mas “pensar com a realidade”, tendo em vista a dificuldade da competição. “A desigualdade financeira é muito grande”, ressaltou. Na primeira divisão, o Maranguape vai jogar contra Fortaleza, Ceará e Ferroviário, por exemplo.
Outro objetivo é promover uma maior estruturação do clube. Brunno já vinha conversando com o pai sobre a necessidade de profissionalizar o time.
O presidente quer que todos os acordos sejam amarrados “na ponta da caneta”. “Meu pai tinha uma coisa de tratar os jogadores como filhos. A gente sempre brincava que, durante a temporada, ele ganhava mais alguns filhos. Eu já venho mais do lado… Eu sou estudante de administração, então, já venho mais do lado de tratar como empresa”, acrescenta.
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PREFEITURA E POLO INDUSTRIAL
Como explica Brunno, o maior patrocinador do clube é a Prefeitura de Maranguape, que ajuda o Gavião da Serra não apenas com recursos financeiros, mas garantindo um estádio. O Moraisão, onde o clube manda seus jogos, foi reformado e voltou a receber o clube desde o dia 12 de agosto de 2023, no título da terceira divisão da Série C, diante do Cariri.
Fazer futebol, como diz o presidente, é “extremamente caro”. Uma de suas decisões, como dirigente, é elaborar um plano de captação de recursos. “Tentar ao máximo unir a cidade e os empresários. O título da Série B fez com que a cidade se movimentasse bastante e o morador de Maranguape fosse ao jogo. O momento da equipe conseguir fazer dinheiro é esse.”
O Polo Industrial de Maranguape, em processo de construção, pode ser outro aliado. Brunno destaca que o complexo pode ser um tremendo “gol de placa” para a situação financeira do time.
“A gente pode procurar essas empresas e conversar. A empresa pode patrocinar o clube e o imposto dela é descontado. É algo vantajoso para a empresa”, explica, sobre a Lei Federal de Incentivo ao Esporte. O objetivo é aproveitar a evolução industrial para movimentar também o futebol.
