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“O Ceará fez o dever de casa no tripé formação, produção e difusão”, defende Wolney Oliveira

O cineasta Wolney Oliveira destaca o crescimento do audiovisual no Ceará. Foto: Reprodução

A 35ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema começa neste sábado (20) e se encerra na sexta-feira (26). A programação contará, ao todo, com 13 longas-metragens e 29 curtas, entre participantes das mostras competitivas Ibero-americana de Longa-metragem, Brasileira de Curta-metragem e Olhar do Ceará, além de exibições especiais e 14 debates. Toda a agenda será gratuita.

Para falar sobre o Cine Ceará e o impacto do festival na cultura do Estado, o cineasta cearense Wolney Oliveira foi entrevistado pela jornalista Elba Aquino, diretora-geral do Opinião CE, no podcast Entre Assuntos. Ele relembrou que tudo começou com o pai, Eusélio Oliveira, em 1991. Desde então, o festival cresceu, resultando na criação de dois cursos superiores de Cinema em Fortaleza, além de um sequencial.

O cineasta ressaltou que o interesse pela arte audiovisual está fortemente ligado ao Cine Ceará. Segundo ele, o Estado “faz o dever de casa”, tornando-se referência no Norte, Nordeste e Centro-Oeste na formação de profissionais, produção de filmes e difusão de obras.

“Se nós somos hoje um estado que tem dois cursos superiores de Cinema [Unifor e UFC] e um sequencial [da Vila das Artes], que vai completar 20 anos, muito disso se deve ao Cine Ceará, que sempre se preocupou com o tripé Formação, Produção e Difusão”, destacou Wolney Oliveira.

Ele também citou o Porto Iracema das Artes, vinculado ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), como espaço que valoriza a produção audiovisual local com o projeto Cena 15. “A gente está muito bem como um estado que fez o dever de casa nesse tripé Formação, Produção e Difusão”, completou.

ABERTURA

Até 2005, o Cine Ceará era um festival dedicado ao cinema brasileiro. A partir de 2006, as produções ibero-americanas passaram a integrar o evento. Com isso, segundo Wolney Oliveira, filmes latino-americanos que dificilmente chegariam ao Brasil ganharam espaço no Ceará e, em seguida, em outros estados.

Na edição deste ano, um longa-metragem do Equador e outro de Porto Rico participam do festival, além de curtas que exigiram intenso trabalho dos curadores. “Foram enviados 1.200 e escolhidos 10”, destacou o diretor.

APOIO PÚBLICO

Desde o fim da Embrafilme, na gestão de Fernando Collor de Mello, o apoio público ao cinema passou a vir de iniciativas estaduais, como foi o caso da Rio Filmes, criada pelo então governador do Rio de Janeiro, César Maia. Wolney Oliveira informou que conversou com o deputado estadual Guilherme Sampaio (PT), líder do Governo na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), que garantiu a criação da Ceará Filmes.

O cineasta acrescentou que o audiovisual cearense tem recebido apoio de gestores nos últimos anos. Ele lembrou que o ministro da Educação, Camilo Santana, quando governador, criou o Museu da Imagem e do Som (MIS), a Pinacoteca do Ceará e a Estação das Artes, equipamentos bastante frequentados pelos fortalezenses interessados em artes visuais.

MAGIA

Estimulado pelas artes visuais desde criança, Wolney Oliveira considera que o cinema é feito de “muita magia”, destacando a capacidade de transportar o público para diferentes lugares e realidades. Ele também enfatizou o impacto econômico do setor, que mobiliza diversas áreas além da atuação artística.

“Mobiliza carpinteiros, funcionários de hotéis, de restaurantes e muitos outros setores. A indústria audiovisual brasileira gera um PIB maior que a farmacêutica ou de celulose”, frisou o cineasta.

CARIRI

O diretor-executivo do Cine Ceará anunciou a aprovação do Curso de Cinema na Universidade Federal do Cariri (UFCA). Além disso, a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) deve entregar, ainda este ano, seis salas de exibição no interior. Ao todo, serão 20 novos equipamentos instalados em diferentes regiões até o próximo ano.