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Ceará aprova projeto que proíbe alimentos ultraprocessados e açucarados em escolas

Plenário da Assembleia nesta quarta-feira (17), data da aprovação da matéria. Foto: José Leomar/Alece

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) aprovou projeto que determina a exclusão de alimentos ultraprocessados e açucarados nas escolas públicas e privadas do Ceará. A matéria, de autoria do deputado estadual Renato Roseno (Psol) e coautoria de Missias do MST (PT), foi apresentada ainda em 2019 e estava arquivada.

A proposta segue para a sanção do governador Elmano de Freitas (PT) para que possa virar lei.

Os alimentos ultraprocessados, desbalanceados nutricionalmente, favorecem doenças do coração, diabetes e tipos de câncer, além de causarem risco de deficiências nutricionais e obesidade.

O texto do projeto estabelece ainda que a comercialização e o consumo desses alimentos são proibidos dentro das escolas. Conforme a proposição, o Poder Executivo pode determinar um prazo para que as cantinas escolares e os demais comércios de alimentos se adequem.

Ainda de acordo com o deputado, a matéria está em consonância com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), de 2009, que já estabelecia normas gerais para a promoção da alimentação saudável.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aliás, estabelece que o Poder Público tem o dever de “assegurar, com absoluta prioridade”, a efetivação do direito à alimentação.

JUSTIFICATIVA DO PROJETO

Na justificativa, o deputado lembra que os alimentos ultraprocessados possuem composição nutricional desbalanceada e são processados com alto teor de gorduras, açúcares e sódio.

“A fabricação de alimentos ultraprocessados, feita em geral por indústrias de grande porte, envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, dentre eles sal, açúcar, óleos, gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial”, frisou.

Dados referentes ao ano de 2017, divulgados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), apontaram que 53% dos adolescentes do Ceará, acompanhados pela atenção básica do SUS, estavam se alimentando mal, consumindo produtos industrializados regularmente.

Além disso, o Ministério da Saúde, em 2018, colocou o Ceará em segundo lugar no Nordeste no ranking de crianças com obesidade, atingindo 10,51% das menores de 5 anos.

O parlamentar lembrou ainda que o Ministério da Saúde já sugeriu a implementação de normas e regulamentações para as cantinas de escolas públicas e privadas, com o objetivo de limitar a venda de alimentos não saudáveis.

“O ambiente em que crianças e adolescentes fazem suas escolhas alimentares precisa favorecer as opções saudáveis e protegê-los dos fatores que contribuem para as doenças relacionadas à alimentação”, apontou o Ministério, ainda em 2018.