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Prefeitura de Fortaleza intensifica combate à fome com distribuição de mais de 50 mil sopas

Em julho, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, marco que indica avanço no combate à insegurança alimentar. Apesar da queda, 2,5% da população ainda enfrenta risco de subalimentação, consumindo menos calorias do que o necessário para manter uma vida ativa e saudável, segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Programa Fortaleza Sem Fome, lançado pela Prefeitura no dia 8 de setembro, distribui, de segunda a sexta-feira, 2.400 sopas diárias para pessoas em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa conta com logística criteriosa, que abrange produção nutricionalmente balanceada, transporte, controle de qualidade e entrega aos beneficiários.

PÚBLICO-ALVO

O programa atende famílias com crianças de 0 a 6 anos, gestantes, idosos, pessoas em situação de rua e pessoas com deficiência em vulnerabilidade social. A distribuição ocorre por meio do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e triagem nos locais de entrega.

Mensalmente, são distribuídas cerca de 53 mil sopas, cada uma com meio litro. A produção é realizada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), enquanto a Prefeitura organiza a logística com frota própria e apoio de organizações sociais espalhadas pela Cidade.

Para a costureira Maria Costa da Silva, o benefício é uma garantia de uma alimentação nutritiva e saudável. Foto: Kiko Silva/ Prefeitura de Fortaleza

PLANO FORTALEZA INCLUSIVA

O Fortaleza Sem Fome integra o Plano Fortaleza Inclusiva, lançado pelo prefeito Evandro Leitão (PT) para promover inclusão social, garantir direitos e melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Demos início à distribuição de mais de 53 mil sopas, um passo essencial para reduzir a insegurança alimentar em Fortaleza. Inspirados na experiência do Ceará Sem Fome, estamos implementando uma política pública que atende diretamente as comunidades e famílias necessitadas. Nosso objetivo é ampliar o programa até alcançar todos os fortalezenses que precisam“, afirmou Evandro Leitão durante o lançamento.

No Estado, diariamente, o Ceará Sem Fome distribui 130 mil refeições e atua com o Cartão Ceará Sem Fome, no valor de 300 reais, beneficiando mais de 47 mil famílias. A rede conta com mais de 1.300 cozinhas sociais e campanhas solidárias que já arrecadaram mais de 500 toneladas de alimentos em grandes eventos.

ROTA DE ENTREGA

Seis veículos realizam diariamente a distribuição dos galões de sopa para entidades credenciadas. O motorista Fabrício Aguiar descreve a alegria das comunidades ao receber o programa. “É gratificante ver que conseguimos levar alimento a quem precisa”, relata.

O ajudante Írio Pereira da Silva acompanha o motorista, recolhendo galões vazios e entregando os cheios. “O processo acontece de forma organizada. Recolhemos no Sesc e seguimos para as instituições nos horários certos, garantindo que tudo seja entregue corretamente”, explica.

O processo de produção e armazenamento começa no final da manhã, sob supervisão da nutricionista Roseli Souza Felix, do Sesc RioMar Fortaleza (Papicu). “Às 11 horas iniciamos o preparo no caldeirão de 350 litros. Por volta de 13h30min, a sopa fica pronta para envase e coleta. Tudo cronometrado”, detalha.

ALIMENTAÇÃO BALANCEADA

Cada sopa é cuidadosamente planejada para oferecer equilíbrio nutricional, incluindo carboidrato, proteína e gordura. As proteínas podem ser frango, carne ou soja, enquanto carboidratos incluem arroz, massa de milho, farinha de mandioca ou macarrão. Legumes fornecem fibras, e o tempero varia conforme os hortifrutis disponíveis.

“O sabor, a textura e a aparência são considerados. Sabemos que, para muitos, é a única refeição do dia, então a sopa precisa ser nutritiva e encorpada”, ressalta a nutricionista.

Após o preparo, os veículos seguem para entidades como a Associação dos Moradores do Conjunto Tancredo Neves (AMCTN), no bairro Jardim das Oliveiras. Colaboradores de 17 instituições foram capacitados em Boas Práticas de Alimentos pela Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), garantindo segurança desde a cozinha até a mesa do beneficiário.

Monitores do programa, como Denzel de Andrade, acompanham o processo. “Verifico a sopa, as roupas e equipamentos de proteção dos colaboradores, além da higienização do espaço”. Na entidade, a cozinheira Rosiane Frota Souza distribui as sopas às famílias, observando a felicidade e alívio dos beneficiários.

HISTÓRIAS DE IMPACTO

A aposentada Tônia Maria Martins Teixeira relata a diferença que o programa faz em sua alimentação diária. “A sopa é saudável, saborosa e supre nossas necessidades. O custo de vida é alto, e meu marido está desempregado. Essa ajuda é muito bem-vinda”, afirma.

Para a costureira Maria Costa da Silva, o benefício garante uma refeição nutritiva e saudável. “Está tudo limpo e bem organizado. A sopa sustenta e é muito boa”, conclui.