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FENACCE 2025: artistas usam materiais orgânicos e naturais para criar obras de arte

Obra "Bailarinos", do artista alagoano Yang Farias. Foto: Opinião CE.

A Feira Nacional de Artesanato (FENACCE), considerada a maior de todo o Brasil, segue até o próximo domingo (14), no Centro de Eventos do Ceará. Com início na última terça-feira (9), a programação reúne artistas de todo o Brasil, para expor seus trabalhos em território.

O festival também conta com uma série de outras atividades como atrações artísticas e oficinas. Reconhecida como líder no cenário do artesanato nacional, a feira busca reunir as múltiplas formas de fazer arte de todo o país.

O Opinião CE esteve presente nesta sexta-feira (12), para conhecer os trabalhos expostos e conversar com artistas sobre o papel econômico e cultural da feira. 

YANG FARIAS

Do povoado de Ilha do Ferro, em Alagoas, Yang trabalha com arte de madeira desde os sete anos. Com 22 anos dedicados a arte com madeira, o seu trabalho mais famoso é o “Bailarinos”, construído a partir de galhos de árvores achados na natureza ou descartados.

Como ele mesmo destacou ao Opinião CE, participar das feiras, pois é uma forma dos artistas conseguirem divulgar sua arte para um público maior.

“Muitas vezes a gente tá em casa trabalhando, vem as pessoas e lhe conhecem, mas quando a gente vem para essas feiras a gente consegue mostrar nosso trabalho para muito mais pessoas e em pouco tempo”, pontuou.

Transformação é como o artista também descreve sua história com o artesanato, que lhe proporcionou uma condição financeira melhor.

“O artesanato de madeira, posso dizer que é uma grande forma de transformação social, porque antes de eu aprender artesanato eu morava em uma casa simples, humilde. E é por isso que eu gosto de ensinar outras pessoas, porque se transformou a minha vida, pode transformar a vida outras também”, completou.

JAIR RENATO

Renato é artista plástico de Florianópolis de Santa Catarina. A partir de fibras naturais como a casca da bananeira, constrói colagens, como suas atuais obras, que retrataram São Francisco das Chagas.

O santo é um dos maiores padroeiros e símbolos religiosos do Ceará. E foi a partir da busca de uma arte que representasse a simplicidade e humildade, Jair encontrou, em vinda o Ceará, há pouco mais de um ano, a figura do padroeiro.

“Eu fiz um primeiro quadro, e aquilo me encantou e eu comecei a trazer essa ideia de colocar São Francisco na imagem do cotidiano, que é aquela imagem da simplicidade, dos animais”, ressaltou.

Obra de Jair Renato. Foto: Opinião CE.

Além das artes religiosas, com as quais já ganhou prêmios, ele trabalha com artesanato há 35 anos. Ao Opinião CE, ele destacou o sentimento de participar, vindo do Sul, da feira em território cearense.

“Olha é uma satisfação muito grande, porque estou no celeiro das artes, no Nordeste brasileiro, que para mim não tem explicação”, disse.

Além das palhas de bananeira, o artesão também utiliza outros materiais orgânicos como palha de milho, casca de árvores, e até penas de galinha-d’Angola, casca de alho, de cebola, folha de palmeiras e sementes. “Não uso tintas. Até hoje continuo aprendendo, acrescentando materiais. Tudo que eu encontro que tem cores eu utilizo em algo”, completou.

ARTE E SUSTENTABILIDADE

A iniciativa reúne também lançamentos nacionais e internacionais, com a presença de empresários e profissionais das artes. O Festival conta com diferentes eixos:

Artesanato Regional

  • Destaque para os artesanatos típicos de cada estado do Brasil, como cerâmica, bordados, rendas, esculturas em madeira, etc.

Artesanato Sustentável

  • Produtos feitos com materiais reciclados e técnicas de produção sustentáveis, como bolsas de garrafa pet, móveis de paletes, entre outros.

Gastronomia Regional

  • Espaço dedicado à culinária típica do Nordeste, com venda de comidas e bebidas regionais, como tapiocas, doces, licores, etc.

Artes Visuais

  • Exposição e venda de obras de arte, como pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, produzidas por artistas locais.

Espaço Infantil

  • Atividades e produtos voltados para o público infantil, como brinquedos artesanais, livros infantis, jogos educativos, etc.

Cultura Popular

  • Apresentações de grupos folclóricos, músicos regionais, contadores de histórias, para valorizar a cultura popular nordestina.

Oficinas

  • Programação de atividades práticas, como oficinas de artesanato, aulas de culinária regional, palestras sobre cultura e sustentabilidade.