Com destino incerto e que ainda gera apreensão entre os moradores, a Ponte Velha (Ponte Metálica), localizada na comunidade Poço da Draga, na Praia de Iracema, não será demolida. O equipamento é considerado símbolo da orla de Fortaleza. A confirmação veio do prefeito Evandro Leitão (PT), durante evento nesta quarta-feira (10).
Durante a participação no evento “Diálogos rumo à COP 30”, Evandro reconheceu que ainda não há uma definição sobre como solucionar o problema, mas destacou que qualquer decisão será tomada junto à comunidade.
“Posso garantir que a Ponte Velha não será demolida. Temos que partir desse princípio e estamos fazendo estudos para que haja um projeto, que será discutido com a comunidade. Queremos apresentar alternativas, mas não farei absolutamente nada sem o crivo da comunidade”, reforçou.
Com mais de 100 anos de existência, a ponte é um local de lazer de banhistas, apesar das sinalizações e orientações de risco de acidentes pelo poder público.
DEBATE
A ponte também foi alvo de debate nesta quarta-feira promovido pela Câmara de Fortaleza. Vereadores ouviram a população e representantes do Executivo, além de entidades sobre o futuro do equipamento, patrimônio da cidade como o primeiro porto de Fortaleza.
O debate foi proposto pela vereadora Adriana Gerônimo (Psol), que colocou em destaque os anseios dos moradores em relação a uma possível demolição da Ponte Metálica, como é conhecida.
“Estamos aqui no Pavilhão do Poço da Draga, junto com a comunidade, com o Conselho Gestor das Zeis do Poço da Draga e com o poder público, para entender quais são os caminhos para solucionar essa questão que está dada agora. Uma ponte que está fechada desde outubro de 2023, mas que mesmo assim a população ainda utiliza para lazer, e a gente precisa garantir tanto a proteção dessas pessoas, como também garantir a permanência desse símbolo da cidade”, destacou.
Deysiane Rocha, presidente da Zeis do Poço da Draga, frisou que o pedido da comunidade é para que o equipamento seja restaurado. “Queremos que restaurem a nossa história de forma segura, onde possamos continuar pulando da ponte e que ela continue a fazer parte da nossa comunidade e da nossa Fortaleza”.

Segundo o secretário da Regional 12, Adams Gomes, a Prefeitura está realizando análises em todos os equipamentos públicos para entender as condições, não necessariamente para fazer intervenções imediatas.
O gestor também falou sobre o receio de que a falta de ação preventiva possa resultar em uma tragédia, e, por isso, é necessário saber se é possível manter o equipamento.
Ele reforça que a decisão será tomada em conjunto com a população, reconhecendo o valor histórico do local.
Professor e arquiteto, Marcelo Capasso explicou que a estrutura do equipamento apresenta problemas visíveis e defendeu a realização de um estudo aprofundado para identificar a melhor forma de corrigir essas questões.
Dentre os encaminhamentos, está a formação de uma comissão reunindo comunidade, instituições públicas presentes no debate para acompanhar todos os trabalhos voltados para o equipamento. Outra proposta é a elaboração de um relatório técnico sobre a situação da Ponte Metálica, que deve contar com o apoio de universidades e órgãos públicos.
O debate contou com a participação do vereador Gabriel Aguiar (Psol); Diego Amora, coordenador do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico da Secultfor; da advogada do Escritório Frei Tito, Cecilia Paiva; Elizabeth Feijão, diretora de Articulação e Integração Pública do IPPLAN; e Riana Rocha, assessora especial da Setfor.
