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7 de setembro é marcado por protestos e discursos em defesa da soberania do Brasil

O sétimo dia de setembro marca uma comemoração especial para o Brasil. Na data, é celebrado o Dia da Independência, que, em 2025, marca os 203 anos desde que o País se tornou independente de Portugal. 

Neste ano, a celebração tornou-se palco de manifestações políticas. Tanto a direita como a esquerda tomaram as ruas do Brasil para a reivindicação de pautas. As principais movimentações políticas que ocorreram em todo o País também foram realizadas em Fortaleza e nas demais cidades do Ceará.

Brasil Soberano

Aos gritos de “sem anistia” e “soberania não se negocia”, por parte do público, o presidente Lula (PT) abriu neste domingo (7) o desfile cívico-militar do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Lula e a primeira-dama Janja da Silva chegaram à Esplanada em carro aberto, o Rolls-Royce presidencial tradicionalmente usado em cerimônias oficiais, após passar em revista as tropas próximo ao Palácio do Planalto. 

Neste ano, o desfile ocorreu em meio à crise bilateral entre Brasil e Estados Unidos, provocada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que impôs tarifas comerciais aos produtos brasileiros para pressionar o país a favor do ex-presidente Bolsonaro. Devido ao contexto, o principal tema do desfile deste ano foi “Brasil Soberano”. 

Outros três eixos temáticos compõem outras alas da parada, dois deles intitulados “Brasil dos Brasileiros” e “Brasil do Futuro”. Um terceiro eixo trata da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30, a ser realizada em Belém, em novembro, e do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Na noite do sábado (6), na véspera do Dia da Independência, o presidente Lula já havia destacado, em pronunciamento à nação, a importância da soberania nacional e da união dos brasileiros na defesa da democracia, do meio ambiente e das instituições do país. O pronunciamento foi transmitido em rede nacional de rádio e televisão.

Inspirado no pronunciamento do presidente Lula à nação, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), destacou, em sua fala, a importância da soberania nacional, durante o desfile cívico-militar em Fortaleza. O governador chamou a família de Jair Bolsonaro (PL) de “antipatriotas” e “traidores da pátria”. Ainda antes do desfile, em suas redes sociais, o petista já havia escrito que “o 7 de setembro é o momento de reafirmarmos o nosso compromisso com a defesa da democracia”.

“A data marca a independência do Brasil e fortalece a nossa missão irredutível de lutar pela soberania do nosso país. Seguimos firmes, ao lado do presidente Lula, por um Ceará e um Brasil com mais oportunidades para o nosso povo, mais justo, inclusivo e soberano”, escreveu o governador.

Demais autoridades políticas, como a vice-governadora Jade Romero (MDB) e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri (PSB), também estiveram presentes no evento.

Aldigueri disse que é necessária, a partir do Congresso Nacional e do Supremo, a condenação da família Bolsonaro, principalmente a do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Outro presente no desfile, o também federal Mauro Filho (PDT), afirmou que “não vai abrir mão” da discussão de expulsar o seu colega de parlamento do Congresso, quem ele afirma que precisa ser cassado e punido.

GRITO DOS EXCLUÍDOS

O Grito dos Excluídos, mobilização que ocorre todo ano, teve como tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. Na capital cearense, a concentração dos participantes foi na Praça da Paz Dom Hélder Câmara, no bairro Vicente Pinzon, de onde os manifestantes caminharam até a comunidade Raízes da Praia, no mesmo bairro.

Na caminhada, além de pautas nacionais como o fim da escala 6×1, a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil mensais e a defesa da democracia e da soberania nacional, também foram defendidas pautas locais como as críticas à construção de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro e a demanda por moradia na capital cearense.

O movimento reúne desde movimentos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), até a Arquidiocese de Fortaleza, que participou da manifestação, com a presença do arcebispo Dom Gregório Paixão. 

O Grito dos Excluídos também ocorreu no Cariri cearense. No município do Crato, a manifestação foi realizada na manhã do sábado (6), com concentração na Praça São Vicente e caminhada até a Praça da Sé.

PEDIDO POR ANISTIA

Outra manifestação que ocorreu nas principais cidades do País foi o pedido pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Em Fortaleza, a movimentação bolsonarista ocorreu a partir das 16h. Denominada “Marcha da Família”, o trajeto partiu da Praça Portugal em direção à Avenida Beira-Mar. Além da defesa à anistia de Bolsonaro, a manifestação também marcou pedidos de impeachment ao ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, relator da trama golpista.

Em ato organizado em São Paulo, o grupo também se manifestou contra o presidente Lula (PT), em alguns casos pedindo sua prisão e estenderam uma grande bandeira dos Estados Unidos. O governador do estado, Tarcísio de Freitas, afirmou que o que se assiste é a construção de uma série de narrativas por parte da esquerda na condução do julgamento em torno do 8 de janeiro, para incriminar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o governador, a anistia tem de ser ampla e para todos os envolvidos, em favor da tradição nacional pela pacificação, “para que a gente possa se livrar do PT”. 

O pastor Silas Malafaia e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro também discursaram. O evento contou com a participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, senadores e deputados.