Governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), comentou em coletiva nesta sexta-feira (5) que o governo busca investir nas empresas cearenses para superar a recaída das exportações devido o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
A exportação brasileira é isenta de ICMS, ou seja, não há imposto quando se exporta. O governador destacou que o tarifaço pode afetar as empresas e provocar perda de empregos, pela falta de poder de compra do cliente.
“Caso isso gere fechamento de empresa ou perda de emprego, a pessoa que perde o emprego deixa de comprar (…), estamos buscando, dessa maneira, fazer um investimento importante para apoiar essas empresas”, explicou Elmano.
O governador acrescentou que 52% da exportação cearense é para os Estados Unidos e metade desse valor é representado pelo aço. No entanto, essa fonte exportadora não foi atingida pelo tarifaço.
“Vamos estar mais juntos com o povo brasileiro, apostando na nossa diplomacia e apoiando as empresas pra preservar o emprego cearense.”
A prioridade do Governo do Ceará, de acordo com Elmano, é defender o emprego do povo cearense e as empresas.
A QUEDA DA EXPORTAÇÃO CEARENSE
A exportação do Ceará para os Estados Unidos caiu 69% no primeiro mês da medida tributária. Na comparação com agosto de 2024, houve aumento de 59,7%, já que, no ano passado, não houve exportação de aço para os EUA.
Retirando o setor do cálculo, entretanto, houve queda de 49,3% em relação aos US$ 20.838.283 totais vendidos em agosto do ano passado.
Diante do cenário, o Governo do Ceará assinou um decreto contra o tarifaço do Trump. O decreto institui as medidas anunciadas pelo Governo visando mitigar os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros para exportação.
As medidas incluem:
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Auxílio financeiro às empresas que exportam para os EUA
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Compra de produtos das empresas para atender equipamentos do Governo do Ceará
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Antecipação de pagamento de créditos de exportação
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Aumento de incentivos fiscais, com a redução dos encargos financeiros do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI)
APOIO A EMPRESAS AFETADAS
O Governo do Ceará prorrogou, por mais 15 dias, o prazo para que empresas exportadoras cearenses afetadas pelo aumento das tarifas dos EUA possam manifestar interesse no edital de credenciamento para apoio às entidades.
O edital visa garantir mercado para os produtos prejudicados, assegurando aquisição para demandas institucionais da administração pública estadual.
Podem participar empresas regularmente instaladas no Ceará, que tenham queda no volume de exportações para os EUA comprovada, em relação à média do segundo semestre de 2024, em produtos como: mel, castanha, filé de peixe, água de coco e cajuína.
A documentação deve ser enviada ao e-mail edital.exportadores@sda.ce.gov.br. O resultado do credenciamento será divulgado no site da Secretaria de Desenvolvimento Agrário e no Diário Oficial do Estado.
O TARIFAÇO DE TRUMP
Em 9 de julho, Donald Trump publicou, em uma rede social, uma carta endereçada a Lula, anunciando a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
No último dia 30, assinou uma ordem executiva oficializando a medida, mas excluindo cerca de 700 itens da lista tarifária.
O governo dos Estados Unidos alegou falsamente que o Brasil adota práticas comerciais injustas, citando o uso do Pix como um exemplo. Lula rebateu as críticas e defendeu o sistema de pagamento como patrimônio nacional e modelo de inovação digital. “Não podemos ser penalizados por desenvolver um sistema gratuito e eficiente”, disse.
O país adota medidas para superar as consequências do tarifaço do Trump, assim como os estados brasileiros afetados direta ou indiretamente em suas exportações.
