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Lula diz não temer EUA e espera que a justiça seja feita com julgamento de Bolsonaro

Lula também voltou a afirmar que está disposto a negociar, e que não tem "nenhum interesse de brigar com os Estados Unidos da América do Norte". Foto: Paulo Pinto.

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva comentou, nesta terça-feira (2), o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus. O chefe do Executivo falou com a imprensa após velório do jornalista Mino Carta, em São Paulo.

Ao mencionar o julgamento, Lula afirmou que “os fatos estão vindo à tona e as pessoas estão começando a perceber que período nefasto da história brasileira nós vivemos”.

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Bolsonaro responde no STF pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

“E obviamente que o Mino Carta, se etivesse hoje, sentado na frente da sua máquina, não do computador, da sua máquina, ou na caneta, estaria escrevendo quem sabe a mais bela história do que aconteceu nos últimos anos no Brasil”, pontuou Lula.

Lula disse esperar que “seja feita a justiça”, e relembrou o período em que também foi julgado pelo STF. “A pessoa que está sendo acusada tem o direito à presunção da inocência, ele pode se defender como eu não pude me defender. E eu não reclamei. Eu não fiquei chorando, eu fui à luta. Se é inocente, prove que é inocente”, completou.

O mandatário também comentou as tentativas de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que não tem porque ficar temendo acusação americana.

“O que está acontecendo com os Estados Unidos é que ele exacerbou, sabe, qualquer coisa que a gente tinha conhecimento na história da humanidade de um governo se meter a julgar o comportamento da justiça de outro país. É um negócio inacreditável”, disse.

Lula também voltou a afirmar que está disposto a negociar, e que não tem “nenhum interesse de brigar com os Estados Unidos da América do Norte”.

MORAES

Em fala inicial no julgamento, Alexandre de Moraes afirmou que o STF não aceitará “coação de um Estado estrangeiro” ou tentativa de obstrução do processo.

“Lamentavelmente, no curso dessa ação penal, constatou-se a existência de condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa, que, de forma jamais vista anteriormente em nosso país, passou a agir de maneira covarde e traiçoeira, com a finalidade de tentar coagir o Poder Judiciário, e em especial este STF, e submeter o funcionamento da Corte ao crivo de outro Estado estrangeiro”, disse o ministro.

O ministro destacou que as tentativas de interferência de um Estado estrangeiro não afetarão a imparcialidade do julgamento.

JULGAMENTO

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, às 17h55 de hoje, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus do núcleo 1 da trama golpista.

Ainda pela manhã, o relator, ministro Alexandre de Moraes, leu o relatório da ação penal, que traz o resumo de todas as etapas percorridas no processo, como investigações e apresentação das alegações finais, última fase antes do julgamento.

Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a condenação de Bolsonaro e dos demais acusados. Serão ao todo oito sessões para análise do caso, contando com hoje, nos dias 3, 9, 10 e 12 de setembro.

O julgamento será retomado nesta quarta-feira (3), a partir de 9h.

Serão ouvidas então as sustentações dos advogados de Bolsonaro; do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; do ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; e do ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice na chapa de 2022, Braga Netto.

Com Agência Brasil.