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Barbalha ganha Museu Orgânico em homenagem à arte dos mosaicos

Foto: Divulgação/Sesc

O município de Barbalha, no Cariri cearense, ganhou um importante equipamento de valorização cultural: o Museu Fábrica Mosaico de Mestre Jaime. A criação reconhece o artista e seu ofício em produzir ladrilhos hidráulicos, mantendo, há mais de 40 anos, um processo de produção artesanal, tradição secular que ajuda a inspirar novos artesãos.

A inauguração aconteceu no último sábado (23), sob liderança do Sesc Ceará, do Sistema Fecomércio. O momento faz parte da programação da Mostra Sesc Cariri de Culturas de 2025. O ofício de Mestre Jaime atende aos valores excepcionais e universais do patrimônio cultural da humanidade em autenticidade e integridade.

Ele foi o 24º de uma rede de museus que vem sendo construída pelo Sesc em parceria com a Fundação Casa Grande.

SOBRE O MESTRE

Mestre Jaime nasceu em Barbalha, no sopé da Floresta Nacional do Araripe. Aos 18 anos começou a trabalhar como servente na Fábrica de Mosaicos Incas, de propriedade do senhor João Gonçalves. Em pouco tempo já demonstrou o seu talento e em menos de um ano já estava operando a prensa e produzindo com qualidade os mais complicados mosaicos.

Durante a década de 1960, a demanda por mosaicos cresceu e ele assumiu uma filial da fábrica de mosaicos em Brejo Santo.

Com a chegada das fábricas de cerâmica, na década de 1970, a fabricação de mosaicos entrou em declínio e em 1979 as fábricas de João Gonçalves foram fechadas. Os anos foram passando, até que em 1983, Mestre Jaime foi procurado por uma senhora que lhe pediu uma encomenda de mosaicos para uma reforma na sua casa. Ele acabou “herdando” as prensas e todas as outras ferramentas do senhor João Gonçalves e, assim, deu início a Fábrica de Mosaicos de Barbalha.

”Estou muito feliz, nunca esperei receber uma ‘coisa’ tão boa como essa. Pensava que nunca chegaria a esse ponto, e agradeço a todos que fazem a cultura do Sesc por tudo isso, e que Deus pague a vocês todos, obrigado”, disse Mestre Jaime, emocionado.

O ladrilho hidráulico, além de beleza, carrega uma história e técnica artesanal que data de séculos. O ladrilho hidráulico como conhecemos hoje, surgiu na França por volta de 1850, durante o período da Revolução Industrial, como uma alternativa ao azulejo cerâmico.

As origens mais antigas, no entanto, são encontradas nos mosaicos bizantinos que expressavam a religiosidade através da arte e decoravam pisos e paredes por toda a Europa.

Com a travessia dos mulçumanos pelo Estreito de Gibraltar e a ocupação da península Ibérica, veio um legado significativo na cultura, na língua e na arquitetura. Importados de Portugal, da França e da Bélgica, os ladrilhos chegaram ao Brasil, e a partir do final do século XIX, sendo bastante aplicados na construção dos pisos domésticos no Cariri.

MUSEUS ORGÂNICOS

Baseados no vínculo com a história e dos lugares onde vivem e atuam os mestres da cultura popular. O projeto nasceu com o amadurecimento da parceria com a Fundação Casa Grande, localizada na cidade de Nova Olinda, para o fortalecimento de uma rede formada por lugares de memória, sendo o Sesc um ativador desses espaços.

Para que se tornem Museus Orgânicos, os projetos passam por pesquisas e estudos consistentes a respeito de cada tradição cultural, suas referências coletivas e o impacto na comunidade.

“Inaugurar o Museu Orgânico do Mestre Jaime é fazer da sua história de vida, a história de uma arte. Colocá-lo dentro do nosso circuito dos Museus Orgânicos, mostra a importância de preservar a nossa história e dá mais força à nossa luta para transformar a Chapada do Araripe em Patrimônio da Humanidade. Hoje esse reconhecimento é de todos nós, e agora o mundo todo vai saber que em Barbalha tem o Museu do Mestre Jaime”, destacou o presidente da Fecomércio, Luiz Gastão (PSD).