Menu

ONU confirma fome pela primeira vez na faixa de Gaza

A previsão é de que, até o fim de setembro, a escassez severa de alimentos se estenda para outras regiões da Faixa de Gaza. Fonte: Wikimedia

A fome foi oficialmente confirmada pela primeira vez na cidade de Gaza, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (22) pelo Sistema Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC), mecanismo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que monitora a insegurança alimentar em diferentes partes do mundo.

O documento classifica a situação no território como “catastrófica” e afirma que mais de 500 mil pessoas enfrentam risco iminente de “fome, miséria e morte”. Ainda de acordo com o IPC, a crise é “totalmente provocada pelo homem” e pode ser revertida com acesso imediato e amplo à ajuda humanitária.

A previsão do relatório é de que, até o fim de setembro, a escassez severa de alimentos se estenda para outras regiões da Faixa de Gaza, incluindo Deir al-Balah e Khan Younis.

DECLARAÇÃO DA ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o cenário como “um desastre provocado pelo homem, uma acusação moral e um fracasso da própria humanidade”.

Já o coordenador de emergências humanitárias da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a fome em Gaza “deveria envergonhar o mundo” e exigiu uma resposta urgente da comunidade internacional. Ele fez um apelo direto ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pedindo a abertura dos pontos de passagem para a entrada de alimentos e suprimentos “na escala massiva exigida”.

CRISE HUMANITÁRIA

O relatório também alerta para o agravamento de doenças como diarreia, infecções respiratórias, sarampo e até pólio, favorecido pela combinação de desnutrição, superlotação e falta de saneamento. Mesmo com a possível ampliação do acesso à ajuda humanitária até setembro, a ONU avalia que a assistência seguirá insuficiente diante das necessidades da população.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo grupo Hamas, ao menos 271 pessoas morreram de fome ou desnutrição desde outubro de 2023, incluindo 112 crianças.

A organização Médicos Sem Fronteiras relatou que uma em cada cinco crianças atendidas em suas clínicas apresenta desnutrição severa ou moderada, e alertou que até hospitais têm dificuldade para alimentar pacientes internados.

RESPOSTA DE ISRAEL

O governo de Israel rejeitou o relatório do IPC, acusando a organização de utilizar “dados parciais e enviesados”, baseados em informações fornecidas pelo Hamas. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores israelense classificou o relatório como “fabricado” e parte de uma “campanha de mentiras”.

Ainda segundo Israel, desde o início do conflito, cerca de 100 mil caminhões com ajuda humanitária teriam sido enviados à Faixa de Gaza.