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Bolívia terá segundo turno presidencial entre candidatos de direita após 20 anos de governos de esquerda

Rodrigo Paz Pereira e Jorge “Tuto” Quiroga avançam para o segundo turno, enquanto o MAS sofre derrota histórica na Bolívia. Foto: Aizar Raldes e Marin Bernetti/AFP

A eleição presidencial da Bolívia terá, pela primeira vez em duas décadas, um segundo turno com dois candidatos da direita na disputa. O resultado do primeiro turno, realizado no domingo (17), marcou o fim de duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS) na política do país.

O senador de centro-direita Rodrigo Paz Pereira lidera com aproximadamente 31% dos votos, segundo os institutos de pesquisa responsáveis pelo acompanhamento. O ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga segue em segundo lugar, com cerca de 27%.

O empresário e também candidato da oposição, Samuel Doria Medina, reconheceu a derrota ao ficar em terceiro lugar, segundo as contagens rápidas divulgadas na madrugada desta segunda-feira (18).

“Como afirmei várias vezes, cumpro os meus compromissos. Ao longo da campanha, disse que, se não chegasse à segunda volta, apoiaria quem ficasse em primeiro lugar, desde que não fosse o MAS [Movimiento ao Socialismo, no poder]. Esse candidato é Rodrigo Paz e mantenho minha palavra”, disse Doria Medina, em entrevista à Agência Brasil.

EVO MORALES

O ex-presidente Evo Morales foi eleito em 2005, sendo o primeiro líder de origem indígena a chegar ao poder no país mais indígena da região. Foi reeleito em 2009 e em 2014, após mudanças na Constituição permitirem sua permanência no cargo.

Nas eleições de 2019, após um referendo, Evo não poderia concorrer a mais um mandato, algo revertido posteriormente pela Justiça. Ele chegou a ganhar a eleição contestada, mas deixou o país após as Forças Armadas se voltarem contra seu governo.

“O pleito não tem legitimidade. O voto nulo, que convoquei em protesto, prevalecerá”, afirmou Evo Morales.

BOLÍVIA

A Bolívia vive uma virada histórica após quase 20 anos de governos de esquerda.

O país enfrenta crise econômica, com inflação elevada, escassez de combustíveis e insatisfação popular, fatores que influenciaram o resultado eleitoral. O segundo turno, marcado para 19 de outubro de 2025, sinaliza uma provável mudança de rumo político, econômico e diplomático.

O contexto reflete uma polarização crescente, com a população dividida entre manter políticas de esquerda ou apostar em alternativas de direita e centro, enquanto questões como corrupção, emprego e estabilidade econômica dominam o debate.