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EUA revogam visto de funcionários do Governo ligados ao Mais Médicos

O Governo dos Estados Unidos revogou o visto de dois funcionários do Governo Federal ligados ao programa Mais Médicos, nesta quarta-feira (13). Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais do Ministério da Saúde, foram sancionados.

A medida foi anunciada pelo secretário de Estado do país norte-americano, Marco Rubio. Segundo ele, a ação faz parte da retomada da “política de restrição de vistos relacionados a Cuba”.

Conforme texto do governo do presidente Donald Trump, os dois estariam atuando no “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”, em referência à participação de médicos cubanos no programa entre 2013 e 2018. Atualmente, conforme dados do Governo Federal, 10% dos profissionais do programa são cubanos. De um total de 26.414 trabalhadores que integram a iniciativa, 2.659 são do país caribenho.

Nesta quinta-feira (14), Mozart classificou a sanção como “injusta” e defendeu o programa, citando que ele gerou impactos positivos e melhoria expressiva na saúde da população. O médico classificou o programa como “iniciativa primordial” para garantir atendimento a milhões de brasileiros.

Ele lembrou que, no momento da criação do Mais Médicos, o governo brasileiro recorreu à possibilidade de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), levando à contratação de profissionais cubanos.

“Médicos cubanos já prestavam esse atendimento em outros 58 países, de diferentes orientações político-ideológicas, por meio de mecanismos de cooperação internacional. Graças a essa iniciativa, a presença de profissionais brasileiros, cubanos e de outras nacionalidades ofereceu atenção básica de saúde e mãos fraternas a quem mais precisava. Diminuiu dores, sofrimentos e mortes”, escreveu.

Alberto Kleiman, além de ex-assessor do Ministério da Saúde, é, atualmente, coordenador-geral para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30, que será realizada no Brasil em novembro, em Belém-PA.

Após a sanção aos dois profissionais, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), defendeu o programa que, segundo ele, “sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja”.

“O programa salva vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira. Não nos curvaremos a quem persegue as vacinas, os pesquisadores, a ciência e, agora, duas das pessoas fundamentais para o Mais Médicos na minha primeira gestão como ministro da Saúde, Mozart Sales e Alberto Kleiman”, disse em postagem nas redes sociais.