Em meio a um debate sobre os efeitos do consumo desenfreado de redes sociais pelas crianças, a psicóloga e psicanalista Fabiana Vasconcelos foi convidada ao programa Entre Assuntos, do Opinião CE, para falar sobre esse tema cada vez mais presente nas discussões sobre saúde mental.
A repercussão desse assunto acontece em meio ao debate levantado pelo influenciador Felca no vídeo “Adultização”, que viralizou ao denunciar o impacto precoce da exposição digital no desenvolvimento infantil.
Segundo Fabiana, o uso indiscriminado das plataformas digitais pode causar processos de ansiedade nas crianças, afetando diretamente sua forma de existir, perceber o mundo e desenvolver vínculos com o tempo, o corpo e as emoções. Para ela, é essencial que os adultos compreendam o papel das redes sociais como empresas que vendem atenção, e não como simples espaços de entretenimento.
“Se eu deixo a criança acessar um espaço onde milhões de pessoas podem publicar qualquer tipo de conteúdo, isso está fugindo imensamente à sua esfera de escolha. Você não está escolhendo, está submetendo a criança à escolha de um mundo de milhões de pessoas”, afirmou a psicóloga.
Fabiana explicou que o funcionamento das redes sociais ativa um processo dopaminérgico, no qual o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor relacionado ao prazer. Esse sistema de recompensa instantânea acaba gerando um comportamento compulsivo.
“Cada vez que nosso cérebro recebe algo prazeroso, ele libera dopamina. Aí eu quero mais, vou para o próximo, para o próximo. Quando vejo, passei 40 minutos em uma rolagem de feed sem nem concluir o que assisti. É um mecanismo muito semelhante ao de uma dependência”, pontuou.
Esse modelo de consumo rápido e contínuo, segundo ela, ensina as crianças a não lidarem com o tempo, com a espera e com o tédio, o que contribui para quadros ansiosos.
Fabiana ainda alertou que os efeitos não se limitam ao público infantil, já que adolescentes e adultos também têm adoecido diante do mesmo ciclo de consumo desordenado. Segundo a psicóloga, o que torna o cenário mais grave é o fato de que as redes sociais misturam publicidade com conteúdo, fazendo com que as pessoas não percebam que estão sendo expostas a ofertas comerciais o tempo inteiro.
“Hoje, a venda está misturada dentro do conteúdo. Você acha que está pulando o comercial, mas o comercial está ali, de forma automática. É uma vitrine, uma loja de departamento, onde tudo é ofertado o tempo inteiro”, destacou.
Ela reforça que a ansiedade é uma emoção necessária para a sobrevivência, mas que o excesso de estímulos digitais pode levá-la a um nível patológico, sobretudo quando combinada com o uso contínuo de conteúdos que não promovem reflexão, apenas recompensas rápidas.
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