O deputado estadual Renato Roseno (Psol) afirmou que deputados da extrema-direita têm sido contraditórios ao defender a criação de instrumentos para que crimes contra as crianças não sejam cometidos nas redes sociais. Como lembrou o parlamentar, muitos dos representantes da extrema-direita são contra a regulação das redes sociais, medida que ajudaria no combate a crimes como adultização e erotização de menores.
O assunto tem repercutido nesta semana, após o influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como “Felca”, divulgar vídeo, na última quarta (6), denunciando casos de exploração de menores nas redes.
Em entrevista ao podcast Questão de Opinião, do Opinião CE, Roseno disse que os parlamentares que são contra a regulação estão sendo oportunistas.
O Governo do presidente Lula (PT), aliás, informou nesta terça-feira (12), por meio do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que vai enviar ao Congresso Nacional um projeto para regular as redes sociais no País, além da punição de big techs pela divulgação de conteúdo criminoso nas redes.
Deputados oposicionistas já se posicionaram contra a regulação. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, afirmou, nesta terça, que, se houver qualquer sinal de “censura” no projeto sobre a “adultização” das crianças, a oposição irá obstruir.
Renato Roseno frisou que a regulação não é censura. “Censura é o que aconteceu no Brasil na ditadura, que esse pessoal da extrema-direita tem tanta saudade”, disse. Ele afirmou que liberdade de expressão não permite cometer crime.
O deputado estadual se aprofundou sobre o tema da regulação, destacando a necessidade de haver parâmetros transparentes sobre a utilização das plataformas digitais. Ele questionou por que as redes sociais não são transparentes no direcionamento dos conteúdos aos usuários.
“Por que determinado conteúdo aparece para uma criança e não aparece para mim? Porque o algoritmo dita o que a criança vai ver, e isso vai ter impacto grande na saúde mental dela, está comprovado pela ciência”, enfatizou.
“Se é algo que cria tanto impacto na vida, inclusive na saúde mental de crianças e adolescentes, por que isso não pode ter parâmetros transparentes?”, questionou.
