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Câncer colorretal: risco está associado à origem étnica, revela estudo

De cada um dos voluntários foi coletado aproximadamente 5 ml de sangue, posteriormente processados e armazenados no Biobanco do Hospital de Câncer de Barretos-Foto: Vecteezy

A composição genética da população brasileira está diretamente relacionada ao risco de desenvolvimento do câncer colorretal, segundo estudo publicado em junho na revista JCO Global Oncology, da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. A pesquisa, que contou com a colaboração de um cientista da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), concluiu que indivíduos com menor herança genética africana ou asiática apresentam maior predisposição à doença.

O estudo analisou 906 pacientes diagnosticados com câncer colorretal e outras 906 pessoas sem a doença, formando o grupo de controle. Para garantir maior precisão nos resultados, os grupos foram pareados por gênero e idade. Também foram excluídos participantes com histórico familiar de câncer colorretal hereditário, e os voluntários foram recrutados em diferentes estados do Brasil, assegurando ampla representatividade genética e geográfica.

Os resultados mostraram que pessoas com menor proporção de ancestralidade asiática têm risco 48% maior de desenvolver câncer colorretal. Já aquelas com baixa contribuição genética africana apresentam risco 22% maior.ancestralidade ameríndia intermediária demonstrou efeito protetor. De cada um dos voluntários foi coletado aproximadamente 5 ml de sangue, posteriormente processados e armazenados no Biobanco do Hospital de Câncer de Barretos

O estudo foi conduzido pelos cientistas Ana Carolina de Carvalho e Ana Carolina Laus, do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM) do Hospital de Câncer de Barretos (SP); Rui Manuel Reis, diretor do CPOM e professor da Universidade do Minho, em Portugal; e Howard Ribeiro Lopes Junior, técnico-administrativo do Departamento de Morfologia da Faculdade de Medicina da UFC.

Segundo os autores, o estudo se destaca por considerar a miscigenação da população brasileira, diferentemente de pesquisas anteriores, que priorizam perfis genéticos de origem exclusivamente europeia ou asiática.

“Como a população brasileira é uma das mais miscigenadas do mundo, era fundamental investigar essa relação. Nossa análise de ancestralidade genética revelou que o risco de câncer colorretal está, de fato, ligado à origem étnica. Esse achado é crucial, pois a maioria dos estudos genéticos se concentra em populações de origem puramente europeia ou asiática, e nossos resultados mostram que o perfil de risco genético na nossa população tem particularidades que precisam ser consideradas”, afirma o pesquisador Howard Ribeiro Lopes Junior.

A expectativa é que os achados sirvam de base para políticas públicas mais eficazes, como a indicação precoce e frequente de exames de colonoscopia para grupos considerados de maior risco.