O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri (PSB), divulgou nesta sexta-feira (1º) um manifesto contra o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra os produtos brasileiros para exportação ao país norte-americano. Conforme a mensagem, o Ceará não baixará a cabeça para “a injustiça, o autoritarismo e os ataques à sua soberania e à sua gente”.
A sobretaxa anunciada pelo presidente Donald Trump, apesar de contar com isenção de cerca de 700 produtos, vai afetar produções cearenses como os pescados, a castanha de caju, a água de coco, o setor da carnaúba e os calçados.
No texto, o legislador afirmou que repudia a “unilateralidade” dos EUA e lembrou que o resultado das novas taxas será de “perda de empregos, desmonte de cadeias produtivas e desconstrução de setores que demoraram anos para montar a logística necessária a fim de estruturar suas operações”.
De acordo com Aldigueri, para que se tenha um mercado “saudável e pujante”, é preciso que exista um “ambiente de paz, inclusive comercial”. “O Brasil é penalizado por um tarifaço em virtude do voluntarismo do presidente americano que, motivado por razões incompreensíveis, sanciona o país, atingindo de forma cruel um estado pobre que luta há décadas para entregar o melhor para seu povo”, escreveu.
“Relações diplomáticas devem ser fundamentadas em diálogo e técnica. Jamais na chantagem e opressão. O Ceará é parte de uma nação lutadora, de uma brava gente, com separação entre poderes, com história de superação e não baixará a cabeça jamais para a injustiça, o autoritarismo e os ataques à sua soberania e à sua gente”, acrescentou.
Finalizando o manifesto, o chefe do Legislativo cearense afirmou que soma as suas forças ao Estado, à União, às instituições e ao setor produtivo, com o objetivo de defender os setores mais atingidos.
Confira o manifesto na íntegra
Manifesto em favor da economia e do povo do Ceará
Em respeito a todos os cearenses, repudio a unilateralidade do Governo dos EUA, cujo resultado será de perda de empregos, desmonte de cadeias produtivas e desconstrução de setores que demoraram anos para montar a logística necessária a fim de estruturar suas operações.
O Estado do Ceará tem surpreendido o Brasil com convergências que construíram a melhor educação pública do país, além de um turismo competitivo, uma infraestrutura cuja evolução é inegável, um debate democrático civilizado, uma integração entre poder público e iniciativa privada pautada no republicanismo, o surgimento de líderes nacionais e outros frutos que somente podem nascer em terras que priorizam a vontade coletiva em detrimento da pessoal.
Atitudes que se refletem em um mercado saudável e pujante, agregador e voltado para nossas necessidades de crescimento, só são possíveis em ambiente de paz, inclusive comercial. Porém, o Brasil, exímio e inquestionável defensor do multilateralismo, é penalizado por um tarifaço em virtude do voluntarismo do presidente americano que, motivado por razões incompreensíveis, sanciona o país, atingindo de forma cruel um estado pobre que luta há décadas para entregar o melhor para seu povo.
Relações diplomáticas devem ser fundamentadas em diálogo e técnica. Jamais na chantagem e opressão. O Ceará é parte de uma nação lutadora, de uma brava gente, com separação entre poderes, com história de superação e não baixará a cabeça jamais para a injustiça, o autoritarismo e os ataques à sua soberania e à sua gente.
Portanto, somo minhas forças ao Estado, à União, ao setor produtivo e a diversas instituições para defender os setores mais atingidos, a exemplo de pescados, castanhas de caju, água de coco, cera de carnaúba, couros e calçados, para encontrar soluções. Porque não aceitamos ameaças. Nunca.
